Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

Empresário é que ganha dinheiro

Os exemplos estão aí. O negócio é tão bom que a Traffic resolveu investir e contratar uma penca de jogadores, espalhá-los por vários clubes e depois faturar alto com suas vendas. Juan Figger, Eduardo Uram, Vagner Ribeiro são alguns dos homens mais ricos do futebol brasileiro e não administram clube algum.

Digo isso para refutar a acusação de que os dirigentes do Figueirense só estão interessados em ganhar dinheiro com negociação de jogador. Ora, se estivessem, fariam o mesmo que os empresários citados no parágrafo anterior. Ganhariam muito mais e se incomodariam muito menos.

Porque administrar clube no Brasil dá trabalho, rende um bocado de incomodação. O dirigente reorganiza o clube, saneia as finanças, constrói centro de treinamento, reforma o estádio, bota o time na série A depois de 23 anos e o mantém lá por sete anos, ganha seis títulos em 10 anos, vence Copa São Paulo de Juniores, chega na final da Copa do Brasil, revela bons jogadores, forma boas equipes e mesmo assim toma pau em qualquer derrota e todo mês é acusado de só querer ganhar dinheiro.

Sou sócio do Figueira há quase 10 anos. Não conheço seus dirigentes, não freqüento os bastidores, tenho criticas pontuais às suas decisões, mas reconheço que puseram o clube em outro patamar. Por isso, não considero justo que se queira imolá-los na fogueira a qualquer tropeço.

O Furacão teve até agora um ano perfeito. Ganhou a Copa São Paulo de Juniores, feito nunca antes alcançado por um clube fora do eixo RJ-SP-MG-RS. Retomou a hegemonia catarinense, se firmou como o mais vezes campeão do estado e garantiu vaga na Copa do Brasil de 2009. Começou bem o campeonato brasileiro. Mesmo assim somente 7.500 torcedores prestigiaram a estréia em casa na série A, contra o Coritiba. Ingratidão, fastio, preguiça?

Está na hora do torcedor dar mais retorno ao clube. Até para poder reclamar quando preciso.

1 comentários:

Jorge Alvinegro disse...

Prezado Ney,
Concordo com os três tópicos do teu comentário. Há uma grande insatisfação contra os dirigentes do Figueirense, quando o clube tem obtido resultados impensáveis há dez anos atrás.
A analogia com o São Paulo é perfeita: a visão dos negócios do clube é a de que decorre da inteligência de seus dirigentes e por aí vai. Quando é o Figueira, o papo é outro.
Mas entra agora um outro componente: a nossa torcida é muito suscetível à opinião da imprensa, em especial dos integrantes do Grupo RBS (CBN Diário, em destaque). Deles partem críticas a praticamente tudo que se faz no Figueira: uma hora o técnico não é bom; quando sai, não deveria ter saído; o Felipe Santana era desengonçado, foi vendido, é insubstituível.
Ora, nossos torcedores já são exigentes em demasia, e ainda se deixam influenciar por quem nutre clara antipatia ao Figueirense (por que será?).
Há que se mudar a mentalidade, e penso que o Figueirense tem investido em estratégias de marketing para isso.
Fica apenas uma sugestão: que sejam escolhidos jogos determinados (contra times com menor apelo em Santa Catarina), e sejam feitas promoções de preço para trazer mais torcedores e aproximá-los do time.
Parabéns pela lucidez.