Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Osso duro de roer

O Furacão Alvinegro inicia no próximo domingo, contra a Lusa, em São Paulo, sua sétima temporada consecutiva na série A. É um feito e tanto para um time de Santa Catarina, ainda mais na era dos pontos corridos e do rebaixamento de quatro times a cada temporada.

Na condição de torcedor do Figueira, o que mais me deixa satisfeito, e creio que à boa parte da torcida alvinegra também, é o clube consolidar a fama de ser um osso duro de roer. Um time que vende caro qualquer derrota.

Nesses seis anos, o Furacão obteve a melhor classificação de um time catarinense na história do campeonato brasileiro, o 7º lugar de 2006. Conseguiu ainda resultados nunca antes alcançados por uma equipe do estado. Vitórias em São Paulo, no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba.

O que mais orgulha é o fato do Figueira, num dia normal, ser capaz de jogar de igual para igual contra qualquer um em qualquer lugar. É por isso que o torcedor do Figueira não gosta muito do discurso do coitadinho. Daquele papo do tipo: “o salário do Rogério Ceni paga a folha toda do Figueira”, “o orçamento do Corinthians é 10 vezes maior do que o nosso”. Não, respeitamos todos, não tememos ninguém. E vamos entrar para ganhar.

Não se trata de megalomania, arrogância ou empáfia. É que o clube mostrou, ao longo dos últimos anos, que é capaz de grandes feitos. Reconhecemos as limitações técnicas e, principalmente, financeiras, diante de adversários com muito mais recursos do que nós para armar times fortes e contratar grandes jogadores, mas não aceitamos ter complexo de inferioridade, nos recusamos a acreditar que a batalha está perdida antes de começar.

Quando o Figueira voltou para a série A em 2002, depois de uma longa ausência de mais de 20 anos, o adjetivo mais comum aplicado ao time era “fraco”. Era que o que mais se ouvia da boca dos analistas esportivos dos grandes centros do futebol brasileiro.

Depois de aprontar algumas, a qualificação mudou. De “fraco”, o Figueira passou a ser “modesto”. Ou seja, o time passou de ruim para limitado. Já era um progresso.

Mais um tempo passou, outros grandes se dobraram à força do Furacão Alvinegro e agora o time já não era mais “modesto” e sim “perigoso”.

Sim, o Figueira merece respeito. Desde o vice-campeonato da série B em 2001, garantindo o acesso à primeira divisão, passando pelas grandes campanhas nestes seis anos, passando por grandes campanhas na Copa do Brasil, inclusive com o vice-campeonato em 2007, conquistando seis títulos estaduais em 10 anos, vencendo a Copa São Paulo de Juniores, obtendo vaga na Copa Sul-Americana, o Furacão mostrou que é osso duro de roer. Que continue assim em 2008.

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