A condução do futebol, no entanto, me parece sempre reativa. O clube não se previne, só contrata quando é desesperadamente necessário. O lema parece ser: para que consertar, se não quebrou? O time está sem lateral-esquerdo há cinco meses, desde que André Santos para o Corinthians. A zaga tem graves lacunas, aumentadas com a saída de Felipe Santana. Há outras deficiências no elenco que também precisam ser supridas.
Não dirigir o clube com paixão extremada é uma qualidade. Frieza e tranqüilidade são fundamentais no futebol. Como dizia o velho Michael Jordan, se você começar a dar ouvidos ao que o torcedor diz na arquibancada, vai terminar assistindo o jogo ao lado dele. Mas também não é aconselhável viver no fio da navalha, com um elenco na conta do chá para disputar um campeonato tão longo e tão difícil quanto o brasileiro.
Até hoje, o torcedor alvinegro se divide no sentimento sobre a campanha de 2006, por exemplo. De um lado, não dá para não ter orgulho de ter conquistado um 7º lugar, a melhor campanha de um time catarinense na série A do Brasileiro, fato que por si já mostra como é difícil a vida de um time de Santa Catarina na luta contra outros muito mais ricos e poderosos. Por outro lado, não dá para apagar a sensação de que com um pouquinho mais de investimento, a vaga na Libertadores já teria vindo naquele ano.
Pois a sensação retorna neste começo de campeonato. Ainda é muito cedo para fazer qualquer prognóstico, mas o sentimento é de que com quatro ou cinco adições de qualidade ao elenco atual, o Figueira pode fazer um grande campeonato. Do meio para frente, as opções são muito boas. Mais um meia e mais um atacante, para aumentar o leque disponível, resolvem a parada. Fundamental mesmo, porém, é acertar a cozinha. Disputar um jogo de série A com três improvisações no setor defensivo (Prates e Diogo na zaga, Marquinhos na ala) é um risco desnecessário.
O controle das finanças é peça vital no planejamento alvinegro. Está cheio de time por aí que gastou os tubos, não obteve os resultados desejados e desceu a ladeira sem freios. Está na hora, no entanto, de pensar mais alto. E não só no discurso, mas nas ações.
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