Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Para que consertar, se não quebrou?

É inegável que, nos últimos 10 anos, a diretoria do Figueira tem levado o clube a campanhas e conquistas nunca antes alcançadas. O clube se reestruturou completamente, passou a dominar o futebol catarinense, está no sétimo ano consecutivo de série A, revela jogadores, foi campeão da Copa São Paulo de Juniores, tem 10 mil sócios, um estádio bem cuidado, um Centro de Treinamento, etc. Tudo isso é digno de elogio.

A condução do futebol, no entanto, me parece sempre reativa. O clube não se previne, só contrata quando é desesperadamente necessário. O lema parece ser: para que consertar, se não quebrou? O time está sem lateral-esquerdo há cinco meses, desde que André Santos para o Corinthians. A zaga tem graves lacunas, aumentadas com a saída de Felipe Santana. Há outras deficiências no elenco que também precisam ser supridas.

Não dirigir o clube com paixão extremada é uma qualidade. Frieza e tranqüilidade são fundamentais no futebol. Como dizia o velho Michael Jordan, se você começar a dar ouvidos ao que o torcedor diz na arquibancada, vai terminar assistindo o jogo ao lado dele. Mas também não é aconselhável viver no fio da navalha, com um elenco na conta do chá para disputar um campeonato tão longo e tão difícil quanto o brasileiro.

Até hoje, o torcedor alvinegro se divide no sentimento sobre a campanha de 2006, por exemplo. De um lado, não dá para não ter orgulho de ter conquistado um 7º lugar, a melhor campanha de um time catarinense na série A do Brasileiro, fato que por si já mostra como é difícil a vida de um time de Santa Catarina na luta contra outros muito mais ricos e poderosos. Por outro lado, não dá para apagar a sensação de que com um pouquinho mais de investimento, a vaga na Libertadores já teria vindo naquele ano.

Pois a sensação retorna neste começo de campeonato. Ainda é muito cedo para fazer qualquer prognóstico, mas o sentimento é de que com quatro ou cinco adições de qualidade ao elenco atual, o Figueira pode fazer um grande campeonato. Do meio para frente, as opções são muito boas. Mais um meia e mais um atacante, para aumentar o leque disponível, resolvem a parada. Fundamental mesmo, porém, é acertar a cozinha. Disputar um jogo de série A com três improvisações no setor defensivo (Prates e Diogo na zaga, Marquinhos na ala) é um risco desnecessário.

O controle das finanças é peça vital no planejamento alvinegro. Está cheio de time por aí que gastou os tubos, não obteve os resultados desejados e desceu a ladeira sem freios. Está na hora, no entanto, de pensar mais alto. E não só no discurso, mas nas ações.

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