Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

Rótulos que grudam

No Brasil nenhum clube segura jogador, todos vendem assim que podem. Os jogadores querem ir embora. Os empresários querem que eles se transfiram. Os clubes não têm cacife para bancar longos contratos com altos salários. Precisam da grana para fechar as contas, não podem competir com a Europa, ou com os petrodólares, ou com os tigres asiáticos.

A pecha de time vendedor, de diretoria mercenária, no entanto, só gruda em alguns. No Figueirense, por exemplo. Basta negociar um jogador, demorar em contratar outro e a própria torcida começa a entoar a ladainha, auxiliada ou incentivada por setores da imprensa.

O mesmo vale para o Atlético-PR de Mário Celso Petraglia ou para o Cruzeiro dos irmãos Perrela, denominado outro dia, pelo jornalista Juca Kfouri, no programa Linha de Passe, da ESPN Brasil, de “Armazéns Perrela”.

O São Paulo vende tanto quanto os clubes aí de cima. Vendeu Kaká e Luís Fabiano a preço de banana. Vendeu Cicinho, trouxe Ilsinho para o lugar. Vendeu Ilsinho. Cicinho era melhor que Ilsinho que era melhor que os sete ou oito jogadores que Muricy testou na posição depois dele. Vendeu Sousa, um jogador apenas mediano, mas nem para ele conseguiu reposição à altura.

O São Paulo serve de barriga de aluguel para engordar jogador de empresários. Faz isso para Juan Figger. Fez isso para os irmãos Sendas e só faturou um percentual na negociação de Breno com o Bayern de Munique.

O São Paulo traz jogador da Europa, pagando só parte do salário, para tentar recuperá-los e depois eles voltarão, revalorizados como Adriano, para seu clube de origem, onde novamente serão úteis ou renderão uma boa grana numa eventual negociação, sem que o time paulista lucre um centavo com isso.

A diretoria do São Paulo, no entanto, não é rotulada de mercenária. Ah, rebatem os críticos, a diretoria do São Paulo repõe com qualidade. Inferior ao que foi embora, rebato eu. O time do São Paulo do ano retrasado era melhor que do ano passado que, por sua vez, era melhor que o desse ano.

Só que o São Paulo consegue arrecadar muito mais que a maioria dos outros clubes, que também não conseguem repor os jogadores negociados com a mesma qualidade, e assim se mantém brigando pelas primeiras posições.

Rola uma grande hipocrisia nesta história. O São Paulo não é criticado porque, supostamente, os diretores amadores trabalham em benefício do clube. Já Figueirense, Cruzeiro e Atlético-PR, só para ficar nesses três, são condenados porque as negociações, supostamente, vão engordar os bolsos de alguém, de maneira aberta ou disfarçada. Como se isso fosse crime ou pecado e como se o resultado não acabasse sendo o mesmo: um time inferior tecnicamente a cada ano, causado por problemas estruturais do país e do próprio futebol, que não consegue conter o êxodo de seus melhores talentos.

3 comentários:

edinho felício disse...

Ney, assino embaixo de tudo que vc disse. E o pior de tudo é ver alguns pseudo-jornalistas falando esse monte de asneiras da diretoria do Figueira e os torcedores acreditam em tudo o que eles dizem. Time de futebol no Brasil que não vende jogador não sobrevive, isto é fato, vc citou alguns exemplos e outros mais poderiam ser feitos. O Felipe Santana por exemplo, era impossível segurá-lo aqui pelos valores que foram revelados e digo mais, foi uma ótima venda. É fato também que a diretoria corre atrás de reforços, mais é claro que não se pode fazer loucuras e isso eles sabem muito bem. Avante Figueira!!!

Meu Figueira disse...

Isso é a verdadeira intriga da oposição.

No Sul da Ilha tão querendo vender o Vandinho, mas até agora ninguém quis.

Paulo (P. Alegre) disse...

Três textos, três tiros certeiros. Parabéns, Ney.

Um abraço,
Sancho