Segunda-feira, 31 de Março de 2008

Todo carnaval tem seu fim

Em determinadas situações no futebol, quanto menos uma coisa acontece mais ela tem chance de acontecer. É o caso dos tabus. Fazia 20 anos que o Figueira não perdia um Clássico no Scarpelli válido por campeonato estadual e fazia nove anos que não perdia um Clássico em seu estádio por qualquer competição.

Apesar da enorme supremacia alvinegra nos últimos oito ou nove anos, este jogo ainda é um Clássico. Assim, uma hora a derrota viria. Nenhum carnaval dura para sempre. Até aí, doloroso, mas normal.

O problema é como a derrota veio. Pelo terceiro jogo seguido, o Figueirense foi dominado por amplos períodos da partida. Pela terceira vez consecutiva, o time abdicou completamente de controlar o jogo e se limitou à ligação direta entre defesa e ataque. Pela terceira partida seguida, a equipe jogou muito mal.

A expulsão de Elton aos 15 minutos do 1º tempo dificulta, e até atenua, a crítica sobre o comportamento do time no jogo de hoje. É uma situação atípica e durante os mais de 70 minutos em que esteve com um jogador a menos, o time foi guerreiro e aguerrido, mas o risco de derrota é sempre muito grande quando uma equipe de futebol se limita a rifar a bola e, conseqüentemente, oferece sua posse para o adversário durante quase o jogo todo.

Mesmo sem criar grandes chances e sem exercer grande pressão sobre a defesa alvinegra, o Avaí mantinha a posse de bola e em algum momento isso ia cobrar seu preço para o Alvinegro. É quase matemático.

Agora se trata de juntar os cacos e usar os três últimos jogos do turno para recuperar o moral do time e somar pontos. A situação é parecida com o turno, com o Alvinegro praticamente fora da briga, mas é difícil que a amarelada de Avaí e, principalmente, Criciúma, se repita agora.

A responsabilidade de Gallo na derrota

Ficou muito fácil enfrentar o Furacão Alvinegro. É adiantar a marcação e marcar a saída de bola do Figueira para o time entrar em parafuso. O elenco tem lacunas sérias. Falta um zagueiro mais técnico, um lateral esquerdo e um bom volante, mas já era tempo do técnico Alexandre Gallo encontrar antídotos para os venenos adversários. Mesmo com deficiências, o Figueirense tem o melhor grupo de jogadores do campeonato.

Se o time é marcado em seu campo, tem que ter alternativas para sair com o goleiro e posicionamento para disputar a bola pelo alto e ganhar o rebote onde quer que seja. Se for marcado em seu campo, pode oferecer o mesmo tipo de problema para o adversário.

Se não o faz, preferindo uma marcação mais recuada, para ter campo para sair em velocidade no contra-ataque, precisa ter um sistema de marcação que efetivamente recupere a bola e organização e qualidade técnica para organizar esse contra-ataque com a bola no chão em toques rápidos e não somente em esticões para os atacantes.

Numa coisa, Gallo e Adilson Batista são parecidos: os dois adoram inventar. Só que as invenções de professor Pardal de Adilson geralmente funcionam, enquanto as de Gallo não. Lançar Elton no jogo de domingo, por exemplo, foi uma temeridade. O jogador tem qualidade e pode ser muito útil ao time, mas não fazia uma partida oficial há sete ou oito meses. Chegou ao Figueira em janeiro e passou esse tempo todo até agora se recuperando de contusões musculares. Estrear depois dessa longa inatividade num Clássico era um risco muito grande e sua expulsão aos 15 minutos de jogo foi uma prova disso.

Gallo sempre opta por formações mais defensivas, sem que isso se traduza num time bem postado e com uma defesa segura. O 3-6-1 usado hoje já foi utilizado em outras partidas e não me recordo de ter funcionado em nenhuma delas. No domingo era para começar com o feijão com arroz tradicional. Três zagueiros, César Prates de volta à lateral esquerda, um meio-campo com Diogo, Cleiton Xavier e Rodrigo Fabri, um ataque com Wellington Amorim e Tuta. Depois, podia mexer de acordo com a necessidade.

Durante o jogo, as primeiras substituições de Gallo foram para reforçar a defesa. Marquinhos entrou no lugar de Fabri porque podia recompor a marcação com mais eficiência e fechar o lado esquerdo. Edu Salles substituiu Bruno Peroni não para jogar como atacante, mas para fechar o meio pela direita e acompanhar os avanços do lateral-esquerdo adversário. Bruno Santos entrou na vaga de Wellington Amorim e foi uma mera troca de um atacante cansado por outro descansado. Tudo isso permitiu que gradativamente o treinador do Avaí botasse seu time mais para frente.

Outro erro foi não utilizar jogadores experientes como Fernandes e Tuta, acostumados a grandes jogos, nem que fosse por um pequeno período da partida. Eles poderiam ter feito a diferença.

A responsabilidade de Gallo na derrota - II

Os posicionamentos de Diogo e Cleiton Xavier estão com problemas. Diogo não guarda posição na cabeça de área. Vive avançando para armar o jogo, carregando a bola ou não, sem ter qualidade técnica para isso. Tem que se guardar para a marcação e, em determinados momentos, se lançar em velocidade para fazer os cruzamentos pela direita do ataque, coisa que já mostrou que sabe fazer. No mais, é correr atrás dos outros e quando recuperar a bola passar para quem estiver mais perto.

Já Cleiton Xavier, a despeito de ter sido o melhor jogador do campeonato no 1º turno e ter marcado vários gols, sendo um dos artilheiros do time, não é meia atacante, é segundo volante. Anda jogando avançado demais e aí o time se ressente de sua ausência na organização da saída de bola da defesa.

Outra coisa que precisa ser analisada é a responsabilidade de Gallo no descontrole emocional da equipe. É inconcebível que um jogador como Elton, que apesar de jovem já teve passagens por Grêmio, Santos e futebol espanhol, caia tão infantilmente nas provocações de Marquinhos, apesar deste ser o jogador mais desleal do campeonato.

É inadmissível que Asprilla se mostre tão descontrolado durante todo o jogo, merecendo ser expulso ainda no primeiro tempo, o que não aconteceu porque o árbitro – que também economizou cartões para o Avaí – pipocou depois de ter expulsado Elton.

Não se pode aceitar que o time se esqueça de jogar bola para ficar reclamando e pressionando o árbitro o tempo todo. As arbitragens catarinenses são ruins e neste segundo turno, por motivos óbvios, na dúvida é sempre contra o Figueira. Mas isso já era sabido e a solução é jogar mais bola e não querer ganhar no grito.

Até porque esta não é a característica do Figueira nos últimos anos. O time não ficava se preocupando com o árbitro e, às vezes, até pecava pela omissão quando o adversário pressionava o juiz. Só que assim, também não se abalava tanto quando se sentia prejudicado e mantinha os nervos sob controle.

Saber ganhar e saber perder

Quando o Avaí perde, o que é hábito, a culpa é da arbitragem, do Delfim, da RBS, da chuva, do vento, do papa, do primo do Badanha, do complô intergaláctico.
Quando vence, seus jogadores provocam a torcida adversária e criam uma confusão generalizada dentro do campo. Deve ser a falta de intimidade com as grandes vitórias. Mas de 20 em 20 anos elas acontecem e eles têm direito de comemorar.

Marquinhos, o sujo

Ele era juvenil do Figueirense e obteve sua liberação por conta da falsificação de uma assinatura. Foi para o Avaí e foi cantado em verso e prosa como grande craque. Rodou por aí sem mostrar nada demais, apenas sendo mais uma peça do esquema Juan Figger de engorda de jogadores.

Quando perde a bola no ataque, invariavelmente apela para as faltas. Agrediu um jogador do Figueira no final do clássico na Ressacada na frente do bandeirinha e nada aconteceu. Foi expulso há quase um mês por uma entrada criminosa no joelho de um jogador do Marcílio Dias e até agora não foi julgado. Vários atletas adversários têm a marca de seu cotovelo em seus rostos. Disse depois de um jogo que o campeonato estava armado para o Figueirense e ficou por isso mesmo. Pressiona a arbitragem e chega a dizer o que ela tem que fazer como ocorreu na última quarta-feira em Joinville. Depois de vencer um jogo, faz gestos obscenos para a torcida adversária, como aconteceu no domingo no Scarpelli. É o jogador mais desleal do campeonato, bem ao gosto da torcida avaiana, adoradora de figuras como César Silva, Régis, Alex Rossi e Milton Maluco.

Quem manda é a torcida do Figueira

Mais de 16 mil pagantes no Scarpelli no jogo de domingo, recorde do campeonato. É a maior torcida de Santa Catarina, que incentivou o time durante todo o jogo mesmo diante da adversidade e do mau futebol apresentado pela equipe.

Quase ninguém arredou pé do estádio antes do apito final, diferente de outra que larga o time aos 30 minutos do segundo tempo quando a coisa vai mal. A torcida do Figueira é incomparável.

Sábado, 29 de Março de 2008

Além do Dadá, nenhum árbitro serve

Considerando que eles não ganham um campeonato há 10 anos.

Considerando que o Figueira abriu 15 vitórias de vantagem nos confrontos diretos.

Considerando que de 2000 para cá, eles chegaram entre os quatro melhores do campeonato estadual umas duas ou três vezes.

Considerando que eles não ganham um Clássico no Scarpelli desde 1999.

Considerando que eles não ganham um Clássico no Scarpelli válido pelo campeonato estadual desde 1988.

Considerando que eles estão em desvantagem nos confrontos diretos até na Ressacada, o salão de festas alvinegro.

Considerando que eles perderam os quatro últimos clássicos, sofrendo 11 gols e marcando um.

Considerando que de 2001 para cá só ganharam o Clássico duas vezes.

Está explicado por que nenhum árbitro serve, a não ser o Dadá, que expulsou dois do JEC na última quarta-feira, mostrando um rigor que o levaria à crucificação se fosse utilizado contra o Avaí.

Cada um escolhe com qual peneira deseja tapar o sol.

Branco pode, azul escuro pode, azul calcinha não

Segue a coletânea de bizarrices para a presença da torcida visitante no Clássico deste domingo no Scarpelli. Corrigindo o que este blog comentou em post anterior, os avaianos podem trajar branco e/ou azul escuro. Só o azul celeste, também conhecido como azul calcinha, não pode.

Será que os policiais que trabalharão na entrada da torcida visitante estarão munidos de uma paleta de cores e tons? Um estilista de moda será chamado para dirimir as dúvidas e resolver os casos omissos?

Esta edição do campeonato catarinense não está encontrando paralelo na história...

Frankenstein travestido

A resolução da FCF, proibindo a reserva de espaço e a presença da torcida visitante uniformizada é um monstrengo inexeqüível. A prova disso já veio no jogo entre Figueira e Criciúma, no domingo passado, quando foi reservado o mesmo espaço de sempre – sem bar e sem banheiro, diga-se de passagem – para a torcida alvinegra no Heriberto Hülse, mesmo sem usar a camisa do clube.

Agora a diretoria do Furacão anuncia que vai destinar 1.900 ingressos para a torcida avaiana no mesmo lugar de sempre, à direita das sociais. É o que reza o bom senso, diante do surrealismo da resolução da FCF.

O bizarro, no entanto, não poderia ficar de fora. De acordo com os acertos feitos entre FCF e Polícia Militar, os avaianos, além de não puderem usar a camisa do clube, também não poderão trajar roupas azuis e/ou brancas. Que raio de diferença isso faz, se eles vão ter lugar próprio no estádio e uma cota de ingressos?

Desse imbróglio todo, duas coisas chamam a atenção. A primeira é como o Avaí e sua torcida nunca são punidos pelos “erros” que cometem. O time não perdeu mando de campo por causa da arruaça em Criciúma, sua torcida poderá ver o Clássico no Scarpelli, Marquinhos Santos não foi julgado ainda.

A segunda coisa é mais uma dúvida: qual o risco da torcida avaiana botar fogo novamente nas cadeiras do estádio?

A Federação quer final?

Avaliando a atuação do novato árbitro Audilian Richard Sagaz, que debutava no campeonato estadual da primeira divisão, me pergunto se a FCF não quer uma final de campeonato, se realmente interessa à entidade que o Figueira vença o returno.

Ele não teve influência decisiva no placar e acertou nos cartões aplicados aos jogadores alvinegros, inclusive no vermelho dado à Makelele, mas errou um bocado contra o Furacão.

Primeiro não teve o mesmo rigor na aplicação dos cartões aos atletas tubaronenses. O que eles bateram por trás e deram de bordoadas nos tornozelos alvinegros foi uma grandeza e na maioria das vezes sequer foram advertidos.

Depois não deu um pênalti em Edu Salles e anulou um gol legal, com prestimosa colaboração do auxiliar, do mesmo jogador.

Depois de uma arbitragem dessas, a gente tem que ficar com a pulga atrás da orelha.

De olho no relógio

Na vitória por 1 a 0 contra o Atlético Tubarão/Cidade Azul na última quinta-feira, no estádio Orlando Scarpelli, o Figueirense deve ter feito uma de suas piores partidas no campeonato. Foi uma noite azeda. O time jogando mal, adversário ruim, arbitragem fraca, torcida de mau humor. Coisas que te fazem questionar a validade de um campeonato estadual.

No primeiro tempo, o Furacão Alvinegro parecia aquele trabalhador que no fim do expediente de sexta-feira faz suas tarefas de olho no relógio, só esperando a hora de bater o ponto. Jogo que antecede o Clássico tem disso. A partida era importante, a vitória era fundamental, mas parecia um empecilho, um obstáculo, uma verdadeira amolação diante do que realmente interessava: o jogo seguinte.

Então na primeira etapa, com uma formação nova – um 4-4-2, com o volante Leandro Makelele no lugar do zagueiro Bruno Peroni –, o time jogava com certo enfado, mas vencia o jogo e de vez em quando criava uma chance capaz de liquidar a fatura. Desperdiçou algumas oportunidades e foi para o intervalo com o magro 1 a 0 no placar e ainda amargando a contusão de Rodrigo Fabri, que passou a ser dúvida para o jogo de domingo.

Já a segunda etapa foi verdadeiramente tenebrosa. O time abusou dos chutões, principalmente depois da expulsão de Makelele, e viu o limitado time de Tubarão controlar o jogo, mesmo que não ameaçasse a meta de Wilson.

Foi uma noite para se esquecer, mas passou e que venha o Clássico.

Quinta-feira, 27 de Março de 2008

Só a vitória interessa

As vitórias de Criciúma e Avaí nesta quarta-feira reforçaram a necessidade do Figueirense derrotar o Atlético Tubarão nesta quinta para seguir com chances de vencer o returno e, conseqüentemente, o campeonato.

O favoritismo é todo do Furacão Alvinegro, mas o time precisa estar atento para não complicar um jogo que pode ser fácil. O Atlético Tubarão faz uma campanha curiosa. É o penúltimo colocado na classificação geral e hoje estaria rebaixado para a segunda divisão. Só ganhou dois jogos em 17, ambos no returno, e tem a segunda pior defesa, com 44 gols sofridos. Só não é pior do que a do Juventus, que tomou 51 gols em 18 partidas. O ataque do time de Tubarão, no entanto, é o sexto melhor da competição, com 35 gols marcados. Tem ainda o terceiro artilheiro do campeonato, o atacante Carlinhos, com 11 gols.

No jogo do turno, o Figueira foi buscar o empate na bacia das almas. A partida foi 3 a 3, com o Furacão terminando o jogo com dois jogadores a menos e sem goleiro. Foi desse resultado ruim, mostrando um péssimo futebol e colecionando cinco desfalques para o jogo seguinte, o clássico na Ressacada, que o Figueira decolou para conquistar o turno.

A situação agora é parecida. O Figueira pode fazer do jogo desta quinta o motivador para seguir na caça ao Criciúma, vencendo o Tubarão e na seqüência derrotando o Avaí no Scarpelli no domingo. Nesse caso, o bônus será dobrado, pois praticamente elimina seu maior rival da briga pelo título.

Asprilla retorna à zaga depois de cumprir suspensão pelo terceiro amarelo. César Prates e Carlinhos estão fora. O primeiro pelo 3º amarelo e o segundo por ter operado o joelho. A solução é simples: Marquinhos na ala esquerda e Diogo na cabeça de área, repetindo, com exceção de César Prates, o time que jogou o 1º tempo contra o Brusque no último jogo em casa.

Mais confusão no campeonato

Muito rolo no jogo entre Joinville 0x3 Avaí, fruto da arbitragem polêmica de João Fernando da Silva, o Dadá, e do desespero do time do JEC, que pelo segundo ano seguido luta contra o rebaixamento.

O árbitro expulsou dois jogadores do Joinville ainda no primeiro tempo e pavimentou a vitória avaiana que cada vez menos pode choramingar por causa do comportamento dos apitadores.

No final do jogo, a torcida do JEC arremessou vários copos no gramado. É bom lembrar que o tricolor do Norte do estado já foi punido com a perda de um mando de campo por um torcedor ter invadido o gramado na derrota contra o Marcílio Dias, ainda no primeiro turno. Providencialmente, o clube conseguiu o famoso efeito suspensivo e até agora não cumpriu a pena. Como o recurso sequer foi julgado, a reincidência do mau comportamento da torcida vai ser embarrigada mais um pouco e se punição houver ficará para o ano que vem.

Este é o campeonato catarinense, onde é muito fácil punir o modesto Atlético de Ibirama pelo cai-cai. Calma, não vamos nos precipitar. A decisão foi em primeira instância, deve caber um efeito suspensivo, e o novo julgamento pode ficar para depois e reverter a punição. E segue o baile.

Terça-feira, 25 de Março de 2008

Inscrições terminam na quinta-feira

Pelo regulamento do campeonato catarinense, o prazo para inscrições de jogadores termina nesta quinta-feira, dia 27. O elenco do Figueirense tem deficiências. Precisa de um ou dois zagueiros, um lateral-esquerdo e um volante.

Não acredito, no entanto, que o time contrate alguém até quinta-feira. Até considero louvável a posição do clube em tentar contratações certeiras e não trazer qualquer um apenas para dar satisfação para a torcida. Só que o caso da lateral-esquerda já se arrasta há muito tempo. André Santos, o único da posição, foi para o Corinthians ainda na pré-temporada, antes do campeonato começar. Estamos chegando em abril e até agora nem sombra do substituto.

Apesar de ser essa a posição mais bem abastecida no Figueira desde o acesso à Série A, seja com jogadores emprestados seja com crias da casa (Lino, Triguinho, Filipe, Michel Bastos e André Santos), nos últimos três anos o clube decidiu – ou só consegue – preencher a vaga a conta-gotas.

Em 2006, com o time montado por Adilson Batista, o estadual começou com Cícero improvisado na posição. Com o campeonato em andamento, chegou Fininho, emprestado pelo Corinthians. Fininho foi para a Rússia e o zagueiro Edson foi improvisado ali. Com o brasileiro já pela metade trouxeram Márcio Goiano, do Gama, que não disse a que veio. Edson continuou quebrando o galho e até o zagueiro Paulão, atualmente no banco do Avaí, jogou pela ala esquerda.

Em 2007, a mesma parcimônia. Só André Santos era da posição. Ele foi embora no começo de 2008 e nada de substituto. Marquinhos e César Prates se revezam improvisados.

Um time que pretende ter um bom desempenho num campeonato longo como o brasileiro não pode se dar ao luxo de ter somente um jogador para determinada posição. E mesmo que o estadual seja bem mais curto e tenha uma exigência técnica menor, é temeroso disputá-lo sem nenhum lateral esquerdo de ofício.

Para inglês ver

Dando uma coringada no regulamento do campeonato catarinense, não consegui deixar de rir, com um certo travo amargo na boca, registre-se. O capítulo VII do documento – Dos estádios, das vistorias e do mando de campo – diz textualmente, em seu artigo 13, que:

Cada associação terá que apresentar à Federação Catarinense de Futebol, no prazo estabelecido no Calendário de Vistorias de Estádios da entidade, os LAUDOS TÉCNICOS expedidos pelos órgãos e autoridades competentes pela VISTORIA das condições de segurança dos estádios a serem utilizados na competição, onde deverão atestar a real capacidade de público, bem como suas condições de segurança, conforme o disposto no art. 23 da Lei nº 10.671/2003 - Estatuto de Defesa do Torcedor.

Na semana passada, o estádio Hercílio Luz, do Marcílio Dias, em Itajaí, foi interditado, lacrado, pela Justiça. As torres de iluminação estão prestes a cair, há rachaduras e armações expostas nas arquibancadas, entre outros problemas.

Está certo que excesso de chuva – e como choveu nesses últimos meses – e maresia podem fazer um bocado de estrago. Mas tudo isso aconteceu em dois ou três meses? Ou a vistoria feita antes do campeonato começar foi só para inglês ver?

Os tais “órgãos e autoridades competentes” deveriam ter mais cuidado ao subscrever laudos dando condições a estádios impróprios para receber uma multidão em um jogo de futebol. Acabamos de testemunhar uma grande tragédia na Fonte Nova, em Salvador. Laudo técnico não é lugar para se fazer politicagem ou troca de favores. Se um estádio tem problemas que eles sejam consertados ou então não tem jogo.

Profissional com profissional, amador com amador

Em 1975, quando fez a melhor campanha de um time catarinense num campeonato brasileiro até então, o Figueira reforçou a equipe com destaques de outros times do estado. Vieram o velho Volmir, ponta-esquerda da Chapecoense, o atacante Toninho, do Avaí, o meia Dito Cola, do Palmeiras de Blumenau, e o lateral-direito Baio, do Juventus de Rio do Sul.

Pois Baio, além de lateral-direito do Juventus, era funcionário do Banco do Brasil. Quando jogava em Rio do Sul acumulava as funções. Deve ter tirado uma licença para jogar pelo Figueira. Quando voltou para a terrinha, retomou seu posto no BB. A essa altura já deve ter se aposentado do banco.

Eram outros tempos, os times eram semi-profissionais, muitos jogadores jogavam por vários anos na mesma equipe, a exigência física do jogo era menor, as torcidas eram mais tranqüilas e pacatas.

Não se pode admitir, em pleno século XXI, que o amadorismo persista. Times montados a toque de caixa e que dão calote generalizado nos contratados, estádios caquéticos e sem a mínima condição de receber uma partida de futebol, Duas equipes (Guarani e Metropolitano) que não têm estádios para jogar em suas cidades. Isso é inadmissível numa competição dita profissional.

Deveria haver uma série de exigências obrigatórias para um time se habilitar para a disputa do estadual, desde estádios com condições mínimas de uso – e não estou cobrando padrão de Copa do Mundo – até comprovação de capacidade financeira para honrar seus compromissos. Se não cumpriu, não entra no campeonato. Que se dispute a competição com oito, seis, quatro times. O restante que dispute campeonato amador até ter condições de jogar entre os profissionais.

Domingo, 23 de Março de 2008

Pandemônio

O Furacão Alvinegro fez um péssimo primeiro tempo e mereceu perder para o Criciúma por 3 a 1 neste domingo no estádio Heriberto Hülse. A soma de um campo pesado, um sistema defensivo desarrumado, uma marcação forte exercida pelo adversário na intermediária ofensiva e dos sucessivos erros de passe do Figueira levou à derrota.

Até agora o técnico Alexandre Gallo não conseguiu dar um bom padrão defensivo à equipe. As carências no setor, um bom lateral esquerdo de ofício – embora, mesmo improvisado, César Prates esteja bem -, um primeiro volante de qualidade e as poucas opções para a zaga, contribuem para o desacerto do setor.

O Furacão é a terceira melhor defesa do campeonato, atrás de Avaí e Criciúma, mas isso não quer dizer muito, pois, à exceção do mediano time do Metropolitano, o resto da concorrência é muito fraco.

Gallo precisar encontrar alternativas para dar mais consistência defensiva ao time. Não parece que a diretoria vá suprir as carências neste estadual. O treinador, portanto, precisar dar um jeito com o que tem na mão. Precisa encontrar uma maneira de consertar o pandemônio que vira a defesa alvinegra quando é pressionada.

Diogo não guardou posição e no domingo errou quase todos os passes. A zaga bateu cabeça e chutou para onde o nariz apontava, todo mundo marcou a distância, o time estava mal posicionado e o rebote era sempre do Criciúma. Não podia dar certo.

O time até melhorou no 2º tempo, mas não vai ser todo jogo que Gallo vai conseguir consertar tudo no vestiário e virar o placar, ainda mais quando a desvantagem já é de dois gols. O Criciúma estava satisfeito com o resultado e se resguardou, esperando o Figueira para sair no contra-ataque. O Furacão Alvinegro criou chances, mas esbarrou nas boas defesas de Zé Carlos.

Mas como dissemos neste blog, a derrota não é nenhum fim do mundo. O time pega o Atlético Tubarão em casa no meio de semana, enquanto o Criciúma vai ao Oeste do estado enfrentar uma Chapecoense que precisa desesperadamente da vitória se deseja de fato brigar pela vaga na série C.

A liderança pode voltar ao Scarpelli depois da próxima rodada, mas isso não apaga a constatação que Gallo precisa dar um jeito no setor defensivo. E rápido, antes que isso se torne uma ameaça à conquista do título estadual.

Novo gramado velho

O Criciúma passou boa parte do 1º turno mandando seus jogos em Tubarão e Florianópolis enquanto trocava toda a grama do estádio Heriberto Hülse. Não adiantou nada. O gramado continua horroroso, principalmente quando chove. Parece que fizeram o serviço pela metade. Trocaram a grama e mais nada. Não prepararam o terreno, não reformaram a drenagem. Um servicinho bem porco, em suma.

Arbitragens horrorosas

Sem teoria da conspiração, complôs ou esquemas. A arbitragem de Santa Catarina é simplesmente horrorosa. A arbitragem na maior parte do mundo é mediana ou fraca, no Brasil é ruim e em terras catarinenses é péssima. O árbitro do jogo de domingo, Célio Amorim, não interferiu no resultado, mas o que inverteu de falta, o que administrou cartão, o que complicou o jogo foi uma grandeza. E todos os árbitros de Santa Catarina são desse nível para baixo.

O maior problema é que Dom Delfim de Pádua, primeiro e único, há 24 anos comandando a Federação Catarinense de Futebol controla tudo com mão-de-ferro. É ele que escolhe os árbitros e só entra na escala quem reza por sua cartilha. Aí, amigos, a competência vai para o vinagre.

Enquanto a arbitragem não for um setor independente, preparada, administrada e escalada de forma profissional, escolhida por critérios técnicos e cujo comando esteja livre das pressões dos clubes, o nível vai continuar abaixo da crítica.

Sábado, 22 de Março de 2008

Encaminha, mas não decide

O jogo deste domingo, entre Figueirense e Criciúma, no Sul do estado, pode encaminhar bem o Furacão Alvinegro rumo ao título estadual, mas ainda não decide o returno. Na verdade, é o primeiro de uma série de três jogos muito importantes para o Figueira conquistar o campeonato sem necessidade de uma decisão.

Depois de enfrentar o Tigre, o Furacão pega Atlético Tubarão e Avaí no estádio Orlando Scarpelli. Se vencer os três jogos, chegaria a 21 pontos, abrindo, no mínimo, sete pontos de vantagem para o Avaí e quatro para o Criciúma. Então sim, faltando três rodadas para terminar o returno, o título estaria muito perto.

Mesmo uma derrota não seria o fim do mundo. Ficaria dois pontos atrás do Criciúma, mas este ainda enfrenta a Chapecoense e Avaí fora de casa, em dois jogos complicados. Continuaria à frente do Avaí, por um ponto, e teria o confronto direto, no Scarpelli, onde há 20 anos o time da Ressacada não ganha um jogo válido pelo campeonato estadual.

Resumindo, o jogo é mais decisivo para o Criciúma do que para o Figueira. Se o Alvinegro souber se aproveitar disso, explorando a necessidade do time do Sul buscar a vitória e mostrando a qualidade ofensiva que é característica a equipe, tem grandes chances de trazer três pontos do Heriberto Hülse.

Qual a melhor formação?

Com a ausência de Asprilla, suspenso pelo terceiro cartão amarelo, o Figueira tem problemas para montar seu sistema defensivo. A princípio, as opções seriam Michel Schmoller, zagueiro de origem, ou o recuo de Carlinhos ou de Luiz Henrique para o setor.

Schmoller ainda não jogou neste estadual. Luiz Henrique foi mal na posição no 2º tempo contra o Brusque. A alternativa menos pior, na minha opinião, seria mesmo Carlinhos. É um jogador limitado, mas como terceiro zagueiro não complica tanto. Tem mais experiência e está mais entrosado com os companheiros, o que é importante num jogo difícil.

Como o técnico Alexandre Gallo é dado a surpresas, só resta esperar o início do jogo. Se não vier com três zagueiros, três volantes e um solitário atacante já será um progresso com relação às partidas anteriores fora de casa.

Estatísticas duvidosas

As estatísticas divulgadas pelos jornais e rádios sobre os jogos entre Figueirense e Criciúma contabilizam 144 confrontos entre os dois, com 52 vitórias para o Tigre, 45 para o Furacão Alvinegro e 47 empates. O que me intriga é porque só são contados os jogos a partir de 1978.

Naquele ano, o então Comerciário Esporte Clube mudou seu nome para Criciúma Esporte Clube. Não foi uma uma fusão, nem a criação de um novo clube. Foi uma mudança pura simples de nome. Tanto que o Criciúma continuou usando o azul e branco do Comerciário até 1984, quando mudou o distintivo e adotou o atual preto, branco e amarelo.

Prova que é o mesmo time é o fato de o Criciúma contabilizar o título de 1968, conquistado pelo então Comerciário, como uma das nove vezes em que se sagrou campeão estadual.

Os times nunca se enfrentaram antes de 1978? Acho difícil, já que, apesar de ter interrompido as atividades do futebol entre 1970 e 1977, o Comerciário-Criciúma foi fundado em 1947 e disputou os campeonatos estaduais regularmente até 1969.

Então quem souber explicar, fique livre para tecer seus comentários.

Sexta-feira, 21 de Março de 2008

O Grande Satã

No futebol, é muito comum que dirigentes, técnicos e jogadores desviem o foco sobre sua própria incompetência culpando a arbitragem. Em Santa Catarina, no entanto, a tática vai mais além: tudo o que acontece é culpa do Figueirense, convertido no Grande Satã do futebol do estado.

Na última rodada do 1º turno, o técnico Leandro Campos, do Criciúma, naquele jogo da bomba contra o Avaí, foi expulso e saiu esbravejando de que o campeonato estava armado para o Figueirense (e para o Avaí também).

Com memória curta, o treinador esqueceu rapidamente que o seu time tinha jogado o turno pelo ralo ao empatar com o Tubarão – que até então não tinha ganhado um jogo sequer – em 4 a 4, no Heriberto Hülse, e perder para o Guarani, no estádio Orlando Scarpelli.

Depois veio o malfadado caso do julgamento de Avaí e Criciúma por causa da bomba e da pancadaria no jogo entre ambos. Foi o suficiente para começar a pipocar aqui e ali comentários que diziam que a eventual perda de mando de campo como punição aos dois clubes faria parte de um “esquema” para beneficiar o Figueira.

Agora é a vez do colunista Roberto Alves, do Diário Catarinense, dizer que o Avaí “suspeita” que a demora para julgar o meia Marquinhos Santos seja uma estratégia para tirá-lo do clássico do dia 29.

Relembrando: Marquinhos foi expulso no jogo contra o Marcílio Dias, no dia 8 de março, depois de dar uma entrada violenta no joelho de um adversário caído.

Relembrando mais um pouco: Marquinhos, “a maior contratação de um clube catarinense para o estadual” (sic), jogou o clássico do turno e não impediu a fragorosa derrota do seu time por 3 a 0 na Ressacada. No fim daquele jogo, aliás, agrediu um jogador do Figueira a meio metro do bandeirinha e sequer foi advertido.

Relembrando outro pouco: No jogo anterior àquele clássico, contra o Tubarão, o Furacão Alvinegro teve o goleiro Wilson expulso e o zagueiro César e o volante Carlinhos punidos com o terceiro cartão amarelo. Além deles, Wellington Amorim e César Prates estavam contundidos e o Figueira entrou em campo no clássico com cinco desfalques. Em vez de ficar choramingando, o time foi lá e meteu 3 a 0.

É chato ouvir toda essa ladainha que pretende unicamente desviar o foco da própria incompetência e do fato incontestável de que dos últimos nove campeonatos o Figueira ganhou cinco. Se formos crer em todas as insinuações, o Furacão Alvinegro tem no bolso vários jornalistas, a RBS, a FCF, a CBF e, com essa história de Copa do Mundo em Floripa, também a Fifa. É de espantar que um dirigente de reconhecida inteligência como Paulo Prisco Paraíso não perceba que se canalizasse para a formação do próprio time toda a suposta dinheirama distribuída em “agrados” diversos, o Figueira já teria ido a Tóquio.

O lado divertido é que um dos efeitos colaterais de transformar o Furacão Alvinegro no Grande Satã é torná-lo mais difícil de ser batido. Gastam tanta energia mistificando o monstro, o deixam tão maior do que é de fato que ao enfrentá-lo sucumbem ao primeiro sopro. Que continue assim.

Quinta-feira, 20 de Março de 2008

Furacão na Suíça

Nesta quinta-feira, o time juvenil do Figueira, campeão da Taça São Paulo, estréia na 68ª edição do tradicional Torneio Internacional Sub-19 de Bellinzona, enfrentando o Valencia, da Espanha. Na sexta, o Furacão enfrenta o Team Ticino (combinado do cantão italiano da Suíça) e no sábado pega a Seleção de Camarões. No outro grupo, estão Sporting Lisboa, Roma, seleção Japonesa e Zurich. Os dois primeiros de cada grupo passam para as semifinais.

Você pode conferir mais informações pelo site oficial do torneio, clicando aqui.

De acordo com o site, a delegação do Alvinegro é composta por:

Giocatori

Gustavo Gomes Da Silva (Gustavo)

Luan José Niedzielski (Luan)

Rafhael Oliveira De Jesus (Rafhael)

Luis Eduardo Campese (Campese)

Ricardo Dzioba De Lima (Ricardo)

William Dias Massari (Massari)

William Matheus Da Silva (William)

SidneiDos Santos (Sidnei)

Alex Junio Faiani Dos Santos (Alex)

Cristiano Teixeira (Cristiano)

Franklin Williamn Vicente (Franklin)

Geziel Pereira Chimendes (Geziel)

Dieyson Luan Lucena Barbosa (Dieyson)

Roberto Santos Da Silveira Filho (Roberto)

Edson GalvaoDa Silva (Edson)

Luis Carlos Alves Cordeiro (Luis Carlos)

Luis Gustavo Gonzales Rosa (Luis Gustavo)

Jefferson Messias Eduardo Da Cruz (Jeferson)

Jackson Fernando De Sousa (Jackson)

Staff tecnico

Erasmo Marcelo Damiani, capo delegazione

Mario Rogerio Micale, allenatore

Renato Targino Dos Santos, preparatore atletico

Só o Figueirense salva

Mais um veneninho: só o Furacão Alvinegro salva a honra do futebol catarinense nos jogos contra os grandes times do país. O resto é só vexame. Nesta quarta foi a vez da Chapecoense levar 2 a 0 do Inter e se despedir da Copa do Brasil sem sequer ir a Porto Alegre.

Terra de ninguém

Enquanto a Chapecoense era eliminada da Copa do Brasil pelo Internacional sem necessidade do jogo da volta, a RBS TV, detentora dos direitos de transmissão da competição, transmitia para Florianópolis o jogo entre Flamengo e Nacional do Uruguai pela Taça Libertadores.

Está certo que uma emissora de TV é um empreendimento comercial, que visa o lucro, e assim o critério da audiência pesa na definição do que será transmitido. Mas também é certo que um canal aberto de TV é uma concessão pública e algum tipo de compromisso com a identidade regional deveria ser exigido.

No ano passado, somente os confrontos do Figueirense na semifinal e final da Copa do Brasil foram transmitidos para todo o estado. Provavelmente porque foram contra times cariocas, Botafogo e Fluminense, respectivamente. Os jogos das fases anteriores só foram transmitidos para a Grande Florianópolis.

Ainda no ano passado, o Figueirense não teve um mísero jogo do brasileiro da série A transmitido para o estado pela TV aberta. O mesmo vai se repetir no primeiro turno do campeonato nacional desse ano. Para ver o Figueira jogar fora de casa só pela Sportv (muito de vez em quando) e pelo pay-per-view. Não sei qual a dificuldade de impor escolhas à grade da Globo, mas duvido muito que a RBS do Rio Grande do Sul se submeta à transmissão de jogos de times do Rio e de São Paulo em vez de exibir partidas de Grêmio e Inter. Também duvido muito que a emissora deixasse de transmitir uma partida entre Guarany de Bagé e Grêmio (ou Inter) pela quarta rodada da quinta fase do sexto turno do estadual para mostrar uma decisão da Libertadores entre Flamengo e Fluminense.

Assim, Santa Catarina continua sendo terra de ninguém. É claro que as rivalidades regionais têm um peso importante na escolha do time de coração e muita gente prefere torcer por um time sediado a 2 mil km de distância, do qual, muito provavelmente, ele nunca verá um jogo ao vivo no estádio, do que torcer por um time de outra região do estado. Ou talvez veja um ou outro jogo quando esse time vier jogar no Scarpelli.

A TV, no entanto, poderia ajudar a quebrar essa resistência. Vendo o Figueirense conquistar grandes resultados em nível nacional agora, ou Joinville e Criciúma em outros tempos, o torcedor de Blumenau, Itajaí ou Chapecó poderia se identificar com um time do próprio estado, reforçando o orgulho de ser catarinense antes de tudo.

É uma questão complexa, mas a função da TV, assim como o rádio em outros tempos, na construção da mitologia dos grandes clubes brasileiros e na penetração de times de outros estados em Santa Catarina merecia ser mais bem estudada. É o velho Dilema Tostines aplicado ao futebol: Flamengo e Corinthians não saem da TV porque são populares ou são populares porque não saem da TV?

Alguém se habilita a responder?

Terça-feira, 18 de Março de 2008

Paralelos entre 2006 e 2008

Durante o campeonato brasileiro de 2006, depois de uma vitória do Furacão Alvinegro sobre o Grêmio em Porto Alegre por 2 a 1, fiquei fuçando na Internet à procura de notícias e comentários sobre o jogo. A certa altura, topei com uma análise feita por um comentarista da Rádio Gaúcha, que avaliava que “o Figueira continua o mesmo: ataca bem e defende mal”.

Este é o primeiro paralelo entre o time daquele ano, responsável pelo título estadual e pelo 7º lugar no brasileiro, melhor campanha de um clube catarinense na história, e a equipe atual. São duas formações que jogam para frente, privilegiando o ataque, e correm risco na defesa.

É muito cedo para avaliações mais aprofundadas. Não é tarefa fácil comparar um time que já entrou para história e o balanço entre virtudes e defeitos pode ser feito em perspectiva e outro que está ainda em formação e construindo sua própria trajetória.

Outro paralelo pode ser feito entre os técnicos Adilson Batista, em 2006, e Alexandre Gallo, o de agora. Os dois são ex-jogadores, no começo de carreira como treinadores e buscando seu espaço dentro do futebol brasileiro. Os dois chegaram ao Figueira em momentos difíceis. Adilson pegou um time, durante o campeonato brasileiro de 2005, que parecia fadado ao rebaixamento e conseguiu recuperá-lo, com a preciosa colaboração de Edmundo.

Gallo, por sua vez, pegou um time perto da zona de rebaixamento no ano passado, mas não mergulhado numa crise tão grande quanto a de 2005, e também conseguiu recuperar a equipe, que depois de sua chegada, fez um campeonato sem grandes sustos.

Os dois ficaram para a temporada seguinte e tiveram tempo e condições para formar uma nova equipe dentro de suas concepções, claro que limitados pelas possibilidades financeiras do clube, e formaram equipes que jogam ofensivamente, times que num bom dia dão gosto de ver. Considero Adilson mais treinador, mas, de novo, Gallo perde na comparação porque seu trabalho está em andamento.

Há diferenças na formação das equipes. O time de Adilson era formado por jogadores jovens, seja da base do clube, seja vindos emprestados de outros times. Os mais velhos daquela formação eram Marquinhos Paraná e Schwenk, com seus 27 ou 28 anos na época.

O time de agora é mais rodado. Mescla jovens jogadores formados no Figueira com emprestados por outros clubes, como Cleiton Xavier e Wilson, mas trouxe atletas mais rodados de passe livre, como Wellington Amorim, Rodrigo Fabri, César Prates, Edu Sales e Tuta.

As duas formações passaram por momentos de instabilidade no estadual, mas deram a volta por cima. Aquela foi campeã. Esta ainda busca o título.

Aquela equipe, mesmo campeã, suscitava dúvidas sobre sua capacidade para o campeonato brasileiro. A maioria dos torcedores considerava que era necessário reforçá-la para a série A, mas praticamente com o mesmo elenco do estadual o time chegou em 7º lugar.

A atual também carências, mas precisa de mais tempo para ser avaliada. Ainda luta pelo título estadual e o brasileiro é mais á frente, mas parece estar no bom caminho e praticando um futebol que agrada aos torcedores, diferentemente do time de 2007, que, mesmo chegando à final da Copa do Brasil e fazendo um brasileiro mediano, nunca chegou a empolgar.

Nenhuma se compara

O jogo valia a liderança, mas foi num sábado à noite, contra o Brusque, um adversário que não atrai público, e debaixo de uma chuva insistente e irritante. Mesmo assim quase cinco mil torcedores alvinegros foram ao Scarpelli prestigiar o time. Mais uma vez, o Furacão é o líder de público e mais uma vez, além de qualquer sombra de dúvida, a sua torcida mostra que é incomparável, que não existe nenhuma que sequer se aproxime em Santa Catarina.

Podem fazer média com outras torcidas, chamá-las de “camisa 12”, denominar outros estádios de “Bombonera”, dizer que eles estão “quase lotados” com 40% dos lugares ocupados, mas como a torcida do Figueira só tem uma. È a maior, a mais fiel e a mais fanática.

Tuta é isso aí

Durante o jogo contra o Brusque já ouvi algumas reclamações e rangeres de dentes por causa da atuação de Tuta. Tem torcedor que tem como parâmetro Romário, Henry e Eto’o e a partir daí ninguém mais presta. Tuta é grosso. Tuta é lento. E faz gol.

Vai perder alguns também, mas vai fazer gol de nariz, de nuca, de canela. Mesmo fora de forma, no sábado guardou três. Um bom número para uma estréia. Sabe usar o corpo e se posicionar na área. Se o time souber explorar suas características, vai ser muito útil.

Aliás, com Tuta, Wellington Amorim, Edu Sales e Bruno Santos, além de Rodrigo Fabri e Cleiton Xavier chegando de trás, o Figueira está muito bem servido de opções ofensivas. Fazia tempo que o Furacão Alvinegro não dispunha de um arsenal tão variado e qualificado.

Segunda-feira, 17 de Março de 2008

Preparando o terreno

O colunista do Diário Catarinense, Roberto Alves, escreve na edição deste domingo que:
“O Estatuto do Torcedor não proíbe a entrada de torcedores do clube adversário no estádio do mandatário. Então, a resolução da Federação Catarinense de Futebol (FCF) não tem razão de ser.

O problema, quero repetir, não é a camisa do clube, e sim quem estará no setor do visitante.

A decisão é bastante polêmica e vai voltar a ser discutida a fundo com a proximidade do clássico entre Figueirense e Avaí.

Vai abrir-se um precedente sem igual na história”.