Durante o campeonato brasileiro de 2006, depois de uma vitória do Furacão Alvinegro sobre o Grêmio em Porto Alegre por 2 a 1, fiquei fuçando na Internet à procura de notícias e comentários sobre o jogo. A certa altura, topei com uma análise feita por um comentarista da Rádio Gaúcha, que avaliava que “o Figueira continua o mesmo: ataca bem e defende mal”. Este é o primeiro paralelo entre o time daquele ano, responsável pelo título estadual e pelo 7º lugar no brasileiro, melhor campanha de um clube catarinense na história, e a equipe atual. São duas formações que jogam para frente, privilegiando o ataque, e correm risco na defesa.
É muito cedo para avaliações mais aprofundadas. Não é tarefa fácil comparar um time que já entrou para história e o balanço entre virtudes e defeitos pode ser feito em perspectiva e outro que está ainda em formação e construindo sua própria trajetória.
Outro paralelo pode ser feito entre os técnicos Adilson Batista, em 2006, e Alexandre Gallo, o de agora. Os dois são ex-jogadores, no começo de carreira como treinadores e buscando seu espaço dentro do futebol brasileiro. Os dois chegaram ao Figueira em momentos difíceis. Adilson pegou um time, durante o campeonato brasileiro de 2005, que parecia fadado ao rebaixamento e conseguiu recuperá-lo, com a preciosa colaboração de Edmundo.
Gallo, por sua vez, pegou um time perto da zona de rebaixamento no ano passado, mas não mergulhado numa crise tão grande quanto a de 2005, e também conseguiu recuperar a equipe, que depois de sua chegada, fez um campeonato sem grandes sustos.
Os dois ficaram para a temporada seguinte e tiveram tempo e condições para formar uma nova equipe dentro de suas concepções, claro que limitados pelas possibilidades financeiras do clube, e formaram equipes que jogam ofensivamente, times que num bom dia dão gosto de ver. Considero Adilson mais treinador, mas, de novo, Gallo perde na comparação porque seu trabalho está em andamento.
Há diferenças na formação das equipes. O time de Adilson era formado por jogadores jovens, seja da base do clube, seja vindos emprestados de outros times. Os mais velhos daquela formação eram Marquinhos Paraná e Schwenk, com seus 27 ou 28 anos na época.
O time de agora é mais rodado. Mescla jovens jogadores formados no Figueira com emprestados por outros clubes, como Cleiton Xavier e Wilson, mas trouxe atletas mais rodados de passe livre, como Wellington Amorim, Rodrigo Fabri, César Prates, Edu Sales e Tuta.
As duas formações passaram por momentos de instabilidade no estadual, mas deram a volta por cima. Aquela foi campeã. Esta ainda busca o título.
Aquela equipe, mesmo campeã, suscitava dúvidas sobre sua capacidade para o campeonato brasileiro. A maioria dos torcedores considerava que era necessário reforçá-la para a série A, mas praticamente com o mesmo elenco do estadual o time chegou em 7º lugar.
A atual também carências, mas precisa de mais tempo para ser avaliada. Ainda luta pelo título estadual e o brasileiro é mais á frente, mas parece estar no bom caminho e praticando um futebol que agrada aos torcedores, diferentemente do time de 2007, que, mesmo chegando à final da Copa do Brasil e fazendo um brasileiro mediano, nunca chegou a empolgar.