Depois do vexame em Salvador e da quantidade industrial de gols sofridos pela Furacão Alvinegro comecei a pensar sobre uma solução. Uma alternativa seria apelar para a velha formação das duas linhas de quatro, muito utilizada na Europa, principalmente na Inglaterra e na Itália. O vitorioso Boca Juniors do técnico Carlos Bianchi também jogava dessa maneira. A diferença entre os dois países europeus é que os ingleses geralmente escalam dois atacantes de ofício e os italianos, mais adeptos da retranca, jogam muitas vezes com um meia ofensivo e um atacante.
Essa formação é diferente do 4-4-2 utilizado no Brasil nos últimos anos. Aqui, os laterais geralmente têm grande poder ofensivo e para liberá-los, os técnicos passaram a contar com dois volantes mais fixos para trabalhar na cobertura dos alas e dos zagueiros e não desguarnecer tanto defesa. Assim, na prática, no Brasil se joga um 4-2-2-2. Em determinadas ocasiões, um 4-3-1-2, ambos com posicionamentos diferentes do 4-4-2 europeu.
Lá, os quatro da defesa são muito mais defensores que aqui. Os dois laterais pouco avançam, sendo muitas vezes zagueiros escalados pelos lados. A tarefa ofensiva cabe aos quatro do meio-campo, com dois jogando abertos, como os antigos pontas. Tanto é que muitos laterais brasileiros quando vão para Europa são escalados, por sua vocação ofensiva, como esse homem do meio que joga pelos lados.
A distância, Guilherme Macuglia parece trabalhar com essa formação, escalando um zagueiro de origem, William Matheus na lateral esquerda, função que este já desempenhou nos juniores. No meio, se o posicionamento contar com Diogo pela direita, Magal e Cleiton Xavier no meio, e Elton na esquerda, estarão configuradas as famosas duas linhas de quatro.
Claro que o futebol é dinâmico, um time não vai fica estático num posicionamento durante todo o jogo – se bem que o Figueira em Salvador jogou quase parando... – e as peças vão se movendo, principalmente na hora de atacar. Mas é no sistema defensivo que a formação fica mais clara, com os jogadores do meio-campo voltando para recompor a marcação e proteger a linha de quatro zagueiros.
Mário Sérgio utilizou esse posicionamento em alguns jogos, principalmente na Copa do Brasil, mesmo jogando com três zagueiros. Em determinados momentos a formação com duas linhas de quatro era nítida. Ele puxava Diogo para a direita, mantinha Felipe Santana e Chicão no miolo de zaga e abria Édson pela esquerda. No meio, a segunda linha contava com Ruy, Henrique, Cleiton Xavier e André Santos. Naquela grande vitória contra o Botafogo no Scarpelli por
Veremos no sábado se Guilherme de fato utilizará esse esquema e se funcionará.