Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

As famosas duas linhas de quatro

Pensei no assunto e não postei. Bem feito para mim. Agora Guilherme Macuglia anda testando a formação com duas linhas de quatro e vou ter que pegar carona, em vez de sair na frente. Mas o tema é interessante mesmo assim.

Depois do vexame em Salvador e da quantidade industrial de gols sofridos pela Furacão Alvinegro comecei a pensar sobre uma solução. Uma alternativa seria apelar para a velha formação das duas linhas de quatro, muito utilizada na Europa, principalmente na Inglaterra e na Itália. O vitorioso Boca Juniors do técnico Carlos Bianchi também jogava dessa maneira. A diferença entre os dois países europeus é que os ingleses geralmente escalam dois atacantes de ofício e os italianos, mais adeptos da retranca, jogam muitas vezes com um meia ofensivo e um atacante.

Essa formação é diferente do 4-4-2 utilizado no Brasil nos últimos anos. Aqui, os laterais geralmente têm grande poder ofensivo e para liberá-los, os técnicos passaram a contar com dois volantes mais fixos para trabalhar na cobertura dos alas e dos zagueiros e não desguarnecer tanto defesa. Assim, na prática, no Brasil se joga um 4-2-2-2. Em determinadas ocasiões, um 4-3-1-2, ambos com posicionamentos diferentes do 4-4-2 europeu.

Lá, os quatro da defesa são muito mais defensores que aqui. Os dois laterais pouco avançam, sendo muitas vezes zagueiros escalados pelos lados. A tarefa ofensiva cabe aos quatro do meio-campo, com dois jogando abertos, como os antigos pontas. Tanto é que muitos laterais brasileiros quando vão para Europa são escalados, por sua vocação ofensiva, como esse homem do meio que joga pelos lados.

A distância, Guilherme Macuglia parece trabalhar com essa formação, escalando um zagueiro de origem, William Matheus na lateral esquerda, função que este já desempenhou nos juniores. No meio, se o posicionamento contar com Diogo pela direita, Magal e Cleiton Xavier no meio, e Elton na esquerda, estarão configuradas as famosas duas linhas de quatro.

Claro que o futebol é dinâmico, um time não vai fica estático num posicionamento durante todo o jogo – se bem que o Figueira em Salvador jogou quase parando... – e as peças vão se movendo, principalmente na hora de atacar. Mas é no sistema defensivo que a formação fica mais clara, com os jogadores do meio-campo voltando para recompor a marcação e proteger a linha de quatro zagueiros.

Mário Sérgio utilizou esse posicionamento em alguns jogos, principalmente na Copa do Brasil, mesmo jogando com três zagueiros. Em determinados momentos a formação com duas linhas de quatro era nítida. Ele puxava Diogo para a direita, mantinha Felipe Santana e Chicão no miolo de zaga e abria Édson pela esquerda. No meio, a segunda linha contava com Ruy, Henrique, Cleiton Xavier e André Santos. Naquela grande vitória contra o Botafogo no Scarpelli por 2 a 0, talvez a melhor exibição do Figueira no ano, no segundo tempo era visível esse posicionamento da equipe.

Veremos no sábado se Guilherme de fato utilizará esse esquema e se funcionará.

Incríveis marcas avaianas

O Guia do Brasileirão da Placar é uma boa fonte de informações, principalmente no que se refere às estatísticas. E consultando-o se percebe que o Avaí não é tão irrelevante assim no cenário nacional.

Por exemplo, o time do Sul da Ilha tem o oitavo pior aproveitamento de toda a história do campeonato brasileiro – 127 clubes já participaram da disputa de 1971 a 2007. O esquadrão avaiano conquistou o incrível percentual de 28,3% dos pontos que disputou.

Mas não pára por aí. O Avaí também aparece na lista dos piores ataques da história, com uma média de 0,77 gol por jogo.

Em ambos os casos, Placar considerou apenas os times com um mínimo de 50 jogos disputados na primeira divisão. Com 53 partidas no cartel, o time avaiano conseguiu entrar na história do campeonato brasileiro.

Na segunda divisão, o Avaí também fez história. Na lista das maiores goleadas da série B seu nome está lá, com os 7 a 1 sofridos contra o Remo, em Belém, em 9 de setembro de 1999.

Pena que a publicação não traga os números da série C. Com aqueles 8 a 1 na sacola contra o Tupi em Juiz de Fora, o time “azulejento” também cravou seu nome na história da terceira divisão.

Falta pegada

O site globoesporte.com traz algumas estatísticas que ajudam a explicar o motivo do Figueirense estar tomando tantos gols nesta série A (clique aqui). De acordo com o levantamento exposto ali, o Furacão Alvinegro é o time que menos fez desarmes nas três primeiras rodadas do campeonato: apenas 19. Como referência, basta dizer que o Flamengo lidera este item, com 63 desarmes, o Cruzeiro vem em segundo, com 59 e o Botafogo em terceiro, com 58.

O Botafogo tem a mesma pontuação do Figueira, mas poupou jogadores em suas partidas por conta da Copa do Brasil. Sofreu, no entanto, apenas dois gols em três jogos. Mesmo número de gols tomados pelo Flamengo, que é o segundo na classificação geral. Já o Cruzeiro, além de não ter sido vazado até agora, lidera a competição.

Não sou adepto do futebol pancada, mas um time que marca mais forte, geralmente comete mais faltas, ainda mais no Brasil, onde os árbitros apitam a qualquer esbarrão. Assim, o Cruzeiro, em três jogos, fez 73 faltas e é o terceiro neste quesito. O Flamengo cometeu 58 faltas. O Grêmio, terceiro colocado, é o segundo neste item, com 77 infrações. Já o Figueira é o 16º, com 48 faltas cometidas.

O problema, obviamente, já foi identificado pelo técnico Guilherme Macuglia, que vem trabalhando alternativas nos treinos. A volta de Vinícius à zaga não é lá muito animadora, mas diante da atual conjuntura pode ser qualificada de medida extrema. É preciso ainda resolver os buracos entre os setores, o time anda muito espaçado, e, também por isso, nunca dobra a marcação. O jogador adversário passa por seu marcador e tem todo tempo do mundo até a cobertura chegar.

Do meio para frente o time tem qualidade, é criativo e faz gols. O que tem que ser consertado, mesmo que os reforços custem a chegar, é a facilidade com que o adversário trabalha a bola no campo alvinegro. Gol raramente a equipe deixa de fazer, tanto que, mesmo com o desastre do último jogo, tem um dos melhores ataques do campeonato. Se não tomar, a vitória estará muito próxima.

Com o Avaí impregnado

Não dá para não torcer contra o Botafogo, principalmente do festival de besteiras proferidas por Montenegro, Bebeto & Cia depois de serem eliminados pelo Figueira na semifinal da Copa do Brasil do ano passado. Nesta quarta, pelos pés de um ex-alvinegro, o zagueiro Chicão, o time carioca caminhou rumo a mais uma eliminação.

Cuca segue com sua sina de técnico bom e perdedor. É, Cuca, vou repetir o já disse outras vezes: você sai do Avaí, mas o Avaí não sai de você.

Terça-feira, 27 de Maio de 2008

O pior time de todos os tempos da última semana

Esta segunda-feira me fez lembrar os velhos Titãs (ex-do Iê-Iê-Iê). É tanto juízo definitivo sobre eventos passageiros que só posso concluir que depois da exibição de domingo, o Figueira foi o pior time de todos os tempos do último final de semana.

Tem hora que é de se lamentar que o futebol tenha uma cobertura tão extensa e intensa. É muito noticiário para preencher, é muito comentário para fazer, é muita mesa-redonda para encher lingüiça. E aí dá-lhe juízos definitivos sobre fatos transitórios, além das suposições e boatos.

Torcedor é torcedor, passional, e cousa e lousa. No Brasil – vou falar do que conheço –, são quase todos iguais. Uma derrota leva aos píncaros do desespero e uma vitória ao cume da alegria. Vendo os programas esportivos de Rio e São Paulo, ouvi os apresentadores lerem dois e-mails de torcedores santistas reclamando, depois da derrota de 4 a 0 para o Cruzeiro, que se o Peixe não contratar, vai ser rebaixado. Não é para tanto, obviamente, mas torcedor é isso. Pensa com o coração e com a orelha.

E aí entra a mídia com seus comentários definitivos sobre eventos passageiros. O Figueira está à beira de uma crise, Guilherme Macuglia está na corda bamba. O Anderson Barros é gordo. O José Carlos Lages é baixinho. O Rodrigo Prisco é filho do “homi”...

Com suas deficiências e virtudes já bem conhecidas, o Figueira tem time para trafegar pelo meio da tabela, algo entre 10º e 13º lugar. Errou a diretoria em anunciar a Libertadores como meta, mas é aquela coisa. Se diz que o objetivo é garantir a permanência por mais um ano na série A ia levar pau do mesmo jeito. O Furacão Alvinegro está chegando numa encruzilhada que todo time de seu porte chega depois de anos seguidos na primeira divisão. Mas isso é tema para outro post em outra hora.

A coisa pode degringolar e a campanha ser bem pior. Também pode dar liga e ser ainda melhor do que a expectativa. Só que três rodadas de campeonato e um jogo de técnico novo não são parâmetro para nada. Tanto não são que Fluminense e São Paulo estariam rebaixados se o campeonato terminasse hoje. Alguém se habilita a cravar essa hipótese?

Pau que bate em Chico, não bate em Francisco

Me intriga o tratamento dado pela imprensa de Florianópolis aos dois times da capital. Pode ser que meu lado torcedor prejudique meu julgamento, mas não há muito o que fazer a respeito disso. É assim que vejo as coisas e, ao menos, deixo isso claro.

Não sei se é por preferência, simpatia ou pena, mas as análises são muito mais condescendentes para os fatos que envolvem o Avaí do que com o Furacão Alvinegro. Pode ser que, no longo prazo, isso seja ótimo, afinal, o time do Sul da Ilha conta com toda essa condescendência e está a 10 anos empacado na série B e sem saber o que é ganhar um campeonato. No dia-a-dia, no entanto, chega a ser irritante.

Irrita porque os fracassos avaianos – freqüentes e duradouros – têm sempre um porém, um contudo, um todavia. Já as derrotas alvinegras – episódicas e momentâneas – são analisadas com um rigor inaudito. Não se salva nada nem ninguém.

Zunino não ganha nada, aumentou a dívida do clube, já contratou 300 jogadores, 50 técnicos e montou uma dezena de parcerias que não levaram o time a lugar nenhum – deve ter avaiano esperando até hoje o tal avião russo –, mas é um abnegado, que está fazendo um grande trabalho na parte administrativa (não sei qual. O que consertou, construiu ou reformou na Ressacada foi com dinheiro público, doado pelo governo do estado). Como pode um presidente ser qualificado de bom quando não ganhou nada e sextuplicou a dívida do clube? Se ele fosse alvinegro – ops, bate na madeira... – ele continuaria sendo tão bom apresentando um cartel desses?

Martini é um ótimo goleiro que só falha de vez em quando. Chegam ao sacrilégio de compará-lo a Wilson. Marquinhos Santos é craque (“a melhor contratação feita por um clube catarinense esse ano”). Vandinho é o “artilheiro do Brasil”.

Não vi nenhum jogo do Avaí na série B. O que posso comentar é que o Paraná Clube, no momento, está se arrastando na competição; que vi o ABC jogar contra o Corinthians e achei um time muito ruim, que não acertou quatro passes seguidos; e que ceder o empate depois de estar vencendo de 2 a 0 não é bom resultado na Ressacada, em Barueri ou no Afeganistão.

Enquanto isso, pelo que dizem os jogadores do Figueira – e dizem isso desde a estréia contra a Portuguesa –, a meta era conquistar sete pontos nos primeiros quatro jogos da Série A. A despeito do péssimo jogo em Salvador, se ganhar do Goiás no Scarpelli no próximo sábado, o objetivo será atingido. Há razão para crise?

Defunto não tem defeito

Vou aproveitar o que já foi dito em outros blogs alvinegros. O técnico Alexandre Gallo foi embora e agora virou excelente treinador, sem defeito algum. Fique registrado que seus números foram muitos bons, mas o desempenho dentro de campo nem tanto e era isso que deixava todo mundo preocupado.

Agora, no entanto, começa a surgir a versão de que ele foi embora porque tinha muita ambição, queria montar um time fortíssimo e a diretoria não quis fazer o investimento necessário para que isso ocorresse. Vamos ser justos. Gallo foi embora porque, primeiro, era uma baita mala, e, segundo, porque apareceu uma proposta de um clube supostamente maior que o Figueira, embora não tenha um time melhor do que o Furacão. É simples assim.

O time do Figueirense não é barato. Wilson, César Prates, Asprilla, Cleiton Xavier, Rodrigo Fabri, Wellington Amorim, Elton, Edu Sales e Magal, por exemplo, não são jogadores de baixo custo. Eles têm mercado no futebol brasileiro. A situação é muito diferente de quando Adilson Batista iniciou a temporada de 2006. Ali o clube tinha gastado muito para se garantir na série A e precisava reduzir custos. Não renovou com Cléber, Bilu e Edmundo. Forçou a saída de Edson Bastos.

Adilson, no entanto, aceitou a empreitada e montou o melhor time dos últimos anos com jogadores da base, emprestados por outros clubes ou no desvio, sem contrato, como Flávio e Schwenck. Recentemente, em entrevista a Juca Kfouri na ESPN, o técnico confessou que se arrependeu de ter deixado o Figueira e que se tivesse ficado até o final do ano teria levado o time até a Libertadores.

Cabe lembrar que quando o zagueiro César – se não foi indicado por Gallo, teve seu aval – pediu para sair, o técnico afirmou taxativamente que não havia necessidade de trazer alguém para a posição. Foi forçado pela “malvada” diretoria do Figueira a dizer isso?

Outro problema poderia ter sido resolvido durante a “gestão Gallo”: o aproveitamento dos jogadores da categoria de base durante o estadual. Atletas como Massari na lateral-esquerda, Schmöller na zaga, Talheti na meia e outros poderiam ter sido testados durante a competição, entrando em alguns jogos, começando outros. Já se teria então uma avaliação mais adequada sobre a possibilidade de aproveitá-los ou não nesse momento. Ou ainda não estariam prontos, ou ganhariam experiência, traquejo e mais confiança para entrar no campeonato brasileiro como opções de verdade.

A diretoria está demorando a suprir as carências do elenco? Está. Mas durante o estadual se tentou a contratação de dois laterais esquerdos, Carlinhos, que preferiu ficar no come-e-dorme no Santos, e Valmir, que optou por ir para o Vasco (onde, aliás, se contundiu na estréia). É preciso buscar outro, sem dúvida, assim como mais zagueiros, mas vale a pena trazer qualquer um?

Agora se especula que Gallo quer levar César Prates e Wilson para o Atlético Mineiro. Os dois não foram indicação dele, estavam no Figueira antes dele chegar. Por que ele não pede a contratação de César, Marquinho ou Tuta?

Sábado, 24 de Maio de 2008

Só me dá alegria

O time azulejento do Sul da Ilha só nos dá alegria. Só ele para tornar uma noite como essa mais suportável.
Ganhando por 2 a 0 em Barueri, entregou a rapadura no final, como é de seu costume. O comportamento amarelão persiste e prospera.

Nove gols em dois jogos fora

O Furacão Alvinegro tomou nove gols em dois jogos realizados fora de casa. Somado ao solitário gol marcado pelo Coritiba no Scarpelli já são 10 gols sofridos em três partidas. É demais, mas quando um time toma gols desse jeito, o problema não está somente na defesa. É só contabilizar quantos destes gols começaram com erros de passe ou desarmes sofridos pelo Figueira no campo de ataque. Uns seis ou sete. Aí não há defesa que resista, embora sejam nítidas as carências do Furacão no setor.

Como dizia o velho zagueiro e filósofo contemporâneo Junior Baiano, quando questionado sobre a quantidade de gols de cabeça que sua equipe vinha tomando: “eu sozinho não posso marcar oito adversários”. Se o time adversário passeia incólume tocando a bola desde o meio-campo, não há zagueiro que dê conta. E time que não desarma o adversário não consegue armar contra-ataque, além de, obviamente, tomar uma carrada de gols.

Sem terra arrasada

Foi uma noite tenebrosa, mas não há porque fazer terra arrasada por isso. É preciso qualificar o grupo, é preciso consertar o sistema defensivo, sem dúvida, mas não há porque sair por aí querendo a cabeça de todo mundo.

O jornalista Marcos Castiel, em seu ótimo blog no ClicRBS (clique aqui), pegou pesado demais. Guilherme Macuglia precisa de tempo para trabalhar. Acabou de chegar, teve pouco tempo para treinar. É muito cedo, portanto, para uma avaliação justa.

Em seu post, Castiel diz que fazia tempo que não via um banho de bola tão grande na série A. Até concordo, mas lembro que esse mesmo Figueirense deu um banho de bola parecido no ano passado. Com um time limitado, ainda curando as feridas pela perda da Copa do Brasil, o Furacão Alvinegro meteu 4 a 0 no Flamengo no Scarpelli. E só não fez mais porque, no segundo tempo, depois de fazer o quarto e o time carioca ter um jogador expulso, passou a administrar o jogo e tocar a bola de lado. E aquele mesmo Flamengo, que não viu a cor da bola no Scarpelli, arrancou depois para garantir uma vaga na Taça Libertadores.

Futebol é bom por isso. O inesperado acontece, as reviravoltas também. E cada jogo tem sua própria história. O Furacão já esteve condenado ao rebaixamento umas três ou quatro vezes desde o retorno à série A e sempre deu a volta por cima.

Hora de consertar

Uma das críticas pontuais que faço à diretoria do Figueira é a política do “para que consertar se não quebrou” (leia aqui). Em muitas situações, esse “deixa como está para ver como é que fica” custam pontos preciosos ao clube. É o caso da falta de reposição para a defesa. Com a saída de André Santos, o time ficou sem lateral esquerdo. César Prates até vinha quebrando o galho por ali. Mais aí foi chamado a quebrar o galho na zaga, que vinha fazendo água. Agora são duas posições a descoberto, ainda mais com a saída de Felipe Santana (que, registre-se, até ir embora era questionado por boa parte da torcida e da imprensa). Ou melhor, são três posições a descoberto, porque também não temos ala direito se Léo Matos (que precisa mostrar a que veio, apesar de ter jogado bem contra o Coxa até ser expulso) não pode jogar como aconteceu neste sábado.

Corrigindo: são quatro posições a descoberto. Porque Diogo faz falta para o meio campo, apesar de não ser brilhante. Pelo menos compõe melhor o sistema defensivo e faz boas incursões pela ala direita, o que não ocorre quando fica preso à lateral. Hoje, por exemplo, foi um desastre.

As contratações de Tadeu e Ramon foram positivas. Mais Tadeu do que Ramon, que precisa se provar útil. Ampliam o leque de opções do meio para frente. Eram prioridade? Não, mas neste sábado, por exemplo, de opção mesmo no banco só Edu Salles. O resto estava ali para fazer número.

Só que a ala esquerda e a zaga não podem mais esperar. O clube não nada em dinheiro, mas comprar uns direitos federativos ou pagar uma multa rescisória de vez em quando não vai levá-lo à falência. Se não for isso, então que se descubra algum jogador encostado em outro clube e que possa vir por empréstimo e suprir a carência. Está na hora de consertar.

Onze contra um

É o resumo do jogo do Figueirense contra o Vitória neste sábado no Barradão. Do lado alvinegro, só Wilson entrou para jogar. Se não fosse ele, a goleada seria ainda maior. Em vez de 4, uns 8 a 0, por baixo. Do outro lado, 11 jogadores dispostos a ralar pela vitória.

Por sua vez, o Furacão Alvinegro teve, além de Wilson, 10 jogadores que entraram em campo para assistir o jogo de um local privilegiado. Ninguém marcou, ninguém ganhou rebote, todo mundo estava mal posicionado, todo mundo errou toneladas de passes. Uma tristeza.

Foi uma derrota merecidíssima. Para se ter uma idéia, o Figueira só foi criar uma boa jogada aos 42 minutos do segundo tempo, uma boa tabela entre Cleiton Xavier e Rodrigo Fabri, que este desperdiçou chutando para fora depois de driblar o goleiro. Aos 45, Edu Salles perdeu mais um gol. E foi só. Uma noite para ser esquecida.

Guilherme Macuglia vai ter muito trabalho para consertar o que se viu hoje.

Schmöller na zaga

Ao que tudo indica, Guilherme Macuglia deve escalar Michel Schmöller na zaga no jogo contra o Vitória neste sábado em Salvador. Começa assim a marcar sua diferença em relação ao antecessor, Alexandre Gallo, que deu pouquíssimas oportunidades ao zagueiro proveniente das categorias de base, e preferia até improvisar a escalá-lo como titular.

Na vitória contra o Coritiba no domingo passado, por exemplo, Gallo entrou com duas improvisações na zaga. César Prates, que vem quebrando o galho por ali desde a final do estadual contra o Criciúma, e Diogo na vaga de Felipe Santana, negociado com o futebol alemão.

Schmöller é inexperiente, mas tem boa qualidade técnica e boa saída de bola, além disso, é da posição. Não se trata simplesmente de escalar um jogador porque é da base e é preciso colocá-lo “na vitrine”. Ele tem potencial e merece uma seqüência de jogos para mostrar seu futebol e ser efetivamente testado.

Essa era a principal dificuldade de Gallo: a pouca atenção às categorias de base do Furacão Alvinegro, que já mostrou ter um trabalho competente na revelação e preparação de jogadores jovens. Isso não significa, necessariamente, que o clube não precise buscar reforços, mas se Schmöller se firmar, o time terá um problema a menos.

Nos outros setores, o time quase não muda. Apenas Diogo sai da zaga e passa para a ala direita. Este blog só queria ver, nesse caso, uma maior troca de posição entre Diogo e César Prates. O primeiro parece ter um bloqueio inexplicável na hora de cruzar quando é escalado pelo lado do campo. Quando joga no meio-campo, Diogo quase sempre dá boas assistências quando cai pela ala direita. É só ir para essa posição que desaprende. Assim, César Prates poderia revezar com ele, já que é da posição e entende do ofício. O Figueira ganharia em força ofensiva se isso acontecesse.

Dois jogos contra o Vitória

De acordo com a revista Placar, Figueira e Vitória pouco se enfrentaram pelo campeonato brasileiro. São cinco jogos, com três vitórias baianas, um empate e uma vitória alvinegra. O reduzido número de confrontos se explica de um lado pela longa ausência do Figueira da série A, entre 1980 e 2001. Quando o Furacão voltou, em 2002, foi a vez do Vitória iniciar sua jornada rumo ao inferno, chegando a bater na série C.

Os dois jogos mais importantes e positivos do confronto não ocorreram, no entanto, por Campeonato Brasileiro. Foram válidos pela segunda fase da Copa do Brasil de 2002.

No primeiro jogo, no Orlando Scarpelli, o Figueira saiu atrás no placar, tomando um gol com poucos segundos de jogo, sem sequer ter tocado na bola. Com 1 a 0 contra, o Furacão deu a saída, conseguiu um escanteio e chegou ao empate com Márcio Goiano. A partir daí, dominou o jogo e chegou à vitória por 3 a 1.

No jogo da volta, no Barradão, o Vitória saiu na frente de novo, o Figueira empatou, mas foi a vez do time baiano fazer 3 a 1, o que levaria a decisão para os pênaltis. No segundo tempo, porém, o Furacão diminuiu para 3 a 2 e isso matou os rubro-negros, que precisariam fazer 5 a 2 para se classificar. Com a equipe baiana já entregue, o Figueira chegou ao empate no final da partida.

Como já derrubou dois tabus contra o Coxa (cinco anos sem vitória e nenhuma vitória no Scarpelli) no último domingo, está na hora de trazer os três pontos pela primeira vez contra o Vitória em Salvador.

Não aprendem

De um lado, a imprensa cogita a vinda do ala Fernandinho, ex-Criciúma, do Cruzeiro, para o Avaí, numa troca com Luís Ricardo, atacante comprado pela Traffic junto ao Marcílio Dias, registrado pelo time do Sul da Ilha e emprestado à Ponte Preta sem sequer passar perto da Ressacada.

De outro, o comentarista esportivo Roberto Alves, em sua coluna no Diário Catarinense, especulou que Fernandinho havia sido oferecido ao Figueirense. Um bom reforço para uma posição carente no Furacão Alvinegro. Só que tem dois detalhes fundamentais não considerados pelo cronista.

O primeiro é que Fernandinho sofreu uma fratura por estresse em fevereiro e sequer voltou a treinar com bola. Vai levar um bom tempo ainda para se recuperar. O segundo é que, sem ele, o Cruzeiro só tem Jadilson para a posição. Adilson Batista tem sido obrigado, inclusive, a improvisar Marquinhos Paraná e até o meia Wagner em alguns jogos.

Não sei a quem interessa esses balões jogados à imprensa. Outro comentarista da RBS, Miguel Livramento, disse durante a decisão do campeonato estadual que Cleiton Xavier estaria negociado com o Palmeiras e sequer disputaria o segundo jogo contra o Criciúma.

Já Roberto Alves informou que PC Gusmão e Gilson Kleina estavam cotados para substituir Gallo no Figueira. Polidoro Jr. e Sérgio Murilo, por sua vez, garantiram que Vagner Mancini tinha almoçado com um dos Prisco em Balneário Camboriú antes do segundo jogo da final do catarinense.

Nada disso se confirmou. No futebol, tem muita gente interessada em plantar notícia e quem é da imprensa esportiva precisa ter cuidado com que divulga. Se for feito um levantamento sério se verá que as “cobrinhas”, “raposas felpudas” e outros bichos que agem nas sombras só dão dicas furadas em 98% das ocasiões.

Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

Rótulos que grudam

No Brasil nenhum clube segura jogador, todos vendem assim que podem. Os jogadores querem ir embora. Os empresários querem que eles se transfiram. Os clubes não têm cacife para bancar longos contratos com altos salários. Precisam da grana para fechar as contas, não podem competir com a Europa, ou com os petrodólares, ou com os tigres asiáticos.

A pecha de time vendedor, de diretoria mercenária, no entanto, só gruda em alguns. No Figueirense, por exemplo. Basta negociar um jogador, demorar em contratar outro e a própria torcida começa a entoar a ladainha, auxiliada ou incentivada por setores da imprensa.

O mesmo vale para o Atlético-PR de Mário Celso Petraglia ou para o Cruzeiro dos irmãos Perrela, denominado outro dia, pelo jornalista Juca Kfouri, no programa Linha de Passe, da ESPN Brasil, de “Armazéns Perrela”.

O São Paulo vende tanto quanto os clubes aí de cima. Vendeu Kaká e Luís Fabiano a preço de banana. Vendeu Cicinho, trouxe Ilsinho para o lugar. Vendeu Ilsinho. Cicinho era melhor que Ilsinho que era melhor que os sete ou oito jogadores que Muricy testou na posição depois dele. Vendeu Sousa, um jogador apenas mediano, mas nem para ele conseguiu reposição à altura.

O São Paulo serve de barriga de aluguel para engordar jogador de empresários. Faz isso para Juan Figger. Fez isso para os irmãos Sendas e só faturou um percentual na negociação de Breno com o Bayern de Munique.

O São Paulo traz jogador da Europa, pagando só parte do salário, para tentar recuperá-los e depois eles voltarão, revalorizados como Adriano, para seu clube de origem, onde novamente serão úteis ou renderão uma boa grana numa eventual negociação, sem que o time paulista lucre um centavo com isso.

A diretoria do São Paulo, no entanto, não é rotulada de mercenária. Ah, rebatem os críticos, a diretoria do São Paulo repõe com qualidade. Inferior ao que foi embora, rebato eu. O time do São Paulo do ano retrasado era melhor que do ano passado que, por sua vez, era melhor que o desse ano.

Só que o São Paulo consegue arrecadar muito mais que a maioria dos outros clubes, que também não conseguem repor os jogadores negociados com a mesma qualidade, e assim se mantém brigando pelas primeiras posições.

Rola uma grande hipocrisia nesta história. O São Paulo não é criticado porque, supostamente, os diretores amadores trabalham em benefício do clube. Já Figueirense, Cruzeiro e Atlético-PR, só para ficar nesses três, são condenados porque as negociações, supostamente, vão engordar os bolsos de alguém, de maneira aberta ou disfarçada. Como se isso fosse crime ou pecado e como se o resultado não acabasse sendo o mesmo: um time inferior tecnicamente a cada ano, causado por problemas estruturais do país e do próprio futebol, que não consegue conter o êxodo de seus melhores talentos.

Uma raça especial

A perda de bons valores é uma constante no futebol brasileiro. Infelizmente. O Inter faturou Libertadores e Mundial, mas vendeu Rafael Sóbis, Daniel Carvalho, Nilmar e Alexandre Pato. Nilmar voltou, mas ainda não repetiu o que fez antes. O clube também não encontrou substitutos à altura dos outros. Faturou alto, se reorganizou, mantém um time competitivo, mas perdeu qualidade.

O Grêmio, por sua vez, também vendeu suas melhores revelações como Anderson, Lucas e Carlos Eduardo. Agora pode perder o zagueiro Léo. Não há no elenco atual gremista quem se aproxime em qualidade dos três primeiros, mas o clube precisa fazer caixa para reduzir sua enorme dívida.Os exemplos são inúmeros.

Como concorrer com a Europa então? Segundo o site Máquina do Esporte (clique aqui para ler a notícia), o vencedor da Champions League, cuja final foi disputada nesta quarta-feira, pode faturar R$ 275 milhões com o título. Estudo feito pela Mastercard aponta essa cifra como possível de ser arrecadada com prêmios, valorização da marca, novos contratos de patrocínio, valorização dos jogadores, etc. Para se ter uma idéia, o valor representa 10 anos de faturamento do Figueira.

Por lá os patrocínios são maiores, a TV paga mais, a bilheteria fatura com estádios lotados, o torcedor é mais fiel e tem mais poder aquisitivo, compra mais produtos do seu time.

Por aqui, clubes dependem fundamentalmente da TV e da venda de jogadores para fechar o ano. Mesmo arrecadando com 10 mil sócios, o Figueira ainda ganha pouco com seus torcedores. No Brasil, a maioria torce pela TV, sem despesa, compra camisa no camelô, e só aparece no estádio em final e olhe lá. É falta de grana sim. Mas também é comodismo.

O Borussia Dortmund, por exemplo, para onde está indo Felipe Santana, vive numa draga danada, apesar de ser um dos maiores times da Alemanha. Na década de 1990 ganhou campeonato alemão, Liga dos Campeões e Mundial de Clubes. Só que gastou os tubos para tanto e hoje tenta tapar o rombo.

Mesmo, no entanto, trafegando na metade de baixo da tabela do campeonato alemão, sua fanática torcida não deixa de lotar os 70 mil lugares de seu estádio todo santo jogo. Isso é paixão. Isso é comprometimento. E isso é raríssimo de se ver no Brasil.

Aqui temos uma raça especial de torcedor, que quase nunca presta apoio incondicional ao clube que torce. Geralmente ele sabe jogar melhor que o jogador, escalar melhor que o técnico e contratar melhor que o dirigente. Passa mais tempo torcendo o nariz e reclamando do que torcendo. Definitivamente está na hora de arejar a mentalidade e parar com tanto azedume.

Empresário é que ganha dinheiro

Os exemplos estão aí. O negócio é tão bom que a Traffic resolveu investir e contratar uma penca de jogadores, espalhá-los por vários clubes e depois faturar alto com suas vendas. Juan Figger, Eduardo Uram, Vagner Ribeiro são alguns dos homens mais ricos do futebol brasileiro e não administram clube algum.

Digo isso para refutar a acusação de que os dirigentes do Figueirense só estão interessados em ganhar dinheiro com negociação de jogador. Ora, se estivessem, fariam o mesmo que os empresários citados no parágrafo anterior. Ganhariam muito mais e se incomodariam muito menos.

Porque administrar clube no Brasil dá trabalho, rende um bocado de incomodação. O dirigente reorganiza o clube, saneia as finanças, constrói centro de treinamento, reforma o estádio, bota o time na série A depois de 23 anos e o mantém lá por sete anos, ganha seis títulos em 10 anos, vence Copa São Paulo de Juniores, chega na final da Copa do Brasil, revela bons jogadores, forma boas equipes e mesmo assim toma pau em qualquer derrota e todo mês é acusado de só querer ganhar dinheiro.

Sou sócio do Figueira há quase 10 anos. Não conheço seus dirigentes, não freqüento os bastidores, tenho criticas pontuais às suas decisões, mas reconheço que puseram o clube em outro patamar. Por isso, não considero justo que se queira imolá-los na fogueira a qualquer tropeço.

O Furacão teve até agora um ano perfeito. Ganhou a Copa São Paulo de Juniores, feito nunca antes alcançado por um clube fora do eixo RJ-SP-MG-RS. Retomou a hegemonia catarinense, se firmou como o mais vezes campeão do estado e garantiu vaga na Copa do Brasil de 2009. Começou bem o campeonato brasileiro. Mesmo assim somente 7.500 torcedores prestigiaram a estréia em casa na série A, contra o Coritiba. Ingratidão, fastio, preguiça?

Está na hora do torcedor dar mais retorno ao clube. Até para poder reclamar quando preciso.

Terça-feira, 20 de Maio de 2008

Guilherme é o técnico

O Figueirense confirmou nesta segunda-feira a contratação de Guilherme Macuglia para o cargo de técnico. Como treinador, os melhores trabalhos dele foram no Criciúma, com a conquista da série C em 2006, e no Guaratinguetá, que chegou às semifinais do campeonato paulista desse ano. É jovem, quer crescer e tem a melhor chance de sua carreira no Furacão Alvinegro. Será preciso dar tempo para que ele mostre seu trabalho.

O que posso dizer de Guilherme é que foi um dos melhores centroavantes que vi jogar no Figueirense. Veio do Grêmio como contrapeso na venda de Albeneir para o tricolor gaúcho e foi um dos raros casos naqueles tempos em que vi o Figueira levar vantagem numa negociação – provavelmente o troco ao Grêmio por nos ter mandado Nestor e Eurípides em troca pelo Valdo.

Guilherme era melhor que Albeneir. Se posicionava bem na área, era técnico e finalizava com categoria. Infelizmente uma contusão prejudicou sensivelmente sua carreira. Mas que jogava muito, jogava.

Ramon e Tadeu

A imprensa de Florianópolis dá como certa a contratação do atacante Tadeu e do meia Ramon, ambos do Grêmio. Os dois vêm suprir carências no elenco alvinegro. De Ramon não tenho muita informação. Já Tadeu incomodou um bocado nos confrontos com o Juventude no ano passado. Tem uma característica, mais fixa na área, que os atacantes do Furacão Alvinegro não têm no momento.

Considerando que seus nomes já haviam sido cogitados há mais de um mês, conclui-se que não vieram antes porque o então técnico Alexandre Gallo não quis. Agora que Gallo se foi, os dois estão chegando. Ainda falta um zagueiro e um lateral-esquerdo.

A mancha da torcida catarinense

Encrenqueiro e marginal, infelizmente, há em quase toda torcida organizada. Agora é fato também que todas as grandes confusões envolvendo estas facções no estado de Santa Catarina recentemente tiveram a participação da principal organizada avaiana. E como não poderia deixar de ser, segundo informações da Gazeta do Povo, o quebra-quebra promovido pela Império Alviverde, antes do jogo de domingo, na sede da Gaviões Alvinegros, teve o decidido apoio da Mancha Azul.

O interessante é que a participação da Mancha teve pouca repercussão nos meios de comunicação de Florianópolis. Como o jornal paranaense está pouco se lixando com a repercussão dos fatos por aqui, deve ter contado a história toda.

Megalomania paranóica delirante

No esforço de fazer um blog com bom conteúdo, a gente se obriga a ler um bocado de coisa pela Internet. Até blogs de torcedores do time do Sul da Ilha. Como diria o velho filósofo, “é um serviço sujo, mas alguém tem de fazê-lo”. Tem um blog de um ex-colunista de um jornal da RBS que é uma sucessão interminável de pérolas. O Alvinegro de Capoeiras já o apelidou adequadamente de “O Velho Milongueiro”.

É um blog chapa branca. O cidadão, que se auto-intitula da “elite”, não tem pudores em descer ao purgatório da baixaria e ao inferno das palavras de baixo calão para atacar quem ousa criticar o adorado – por ele, claro – presidente avaiano. O homem não tem vergonha de apelar, o que é lamentável para um senhor de sua idade, que devia se esforçar para preservar um pouco de compostura e dignidade.

Pior que, para quem se autodenomina de “elite”, o escriba comete uma sucessão de crimes contra o português. É um tal de fofoca com acento (“fofóca”) pra lá, “continui” pra cá que chega a ser constrangedor.

O Milongueiro é o típico representante da velha elite carcomida e autoritária que mandou em Floripa e em Santa Catarina por longas décadas. Fica claro que morre de saudades dos tempos em que um Ramos presidia seu time, outro mandava na Federação e um terceiro governava o estado. Ah, bons tempos aqueles, não, velho adorador das oligarquias? O time ganhou estádio e um tetracampeonato com direito até a título por W.O.

Depois disso, a fonte secou. É um título a cada 10 anos e olhe lá. E quem disse isso não fui eu. Foi teu adorado e idolatrado presidente Zunino, salve, salve.

A máquina engasgou

Já pedindo desculpas aos internautas por gastar tantas linhas com o time azulejento, não posso me furtar de constatar que a tal máquina de fazer gols engripou, engasgou. O time do tal artilheiro do Brasil fez um mísero golzinho em dois jogos pela série B. E olha que o tento foi acidental, sem querer.

O engraçado é que agora estão desesperados atrás de um centroavante. Ué, alardearam durante o estadual que tinha adquirido os direitos federativos de Muriqui e Luís Ricardo e até agora só voltou o Didi...

Aliás, pelos comentários sobre o jogo de sábado contra o ABC, o grande craque e excelente caráter Marquinhos Santos entrou em depressão e não jogou nada. Deve estar abalado porque até agora nenhum time de série A se interessou por seu magnífico futebol. Ele só vem para o Avaí quando mais ninguém o quer.

Fala de série A quem joga série A

Mais cômico ainda é O Velho Milongueiro se meter a analisar jogo de série A, assunto que desconhece completamente. Para ele, o Figueira joga no bumba-meu-boi e o Coritiba é um time fraco. Esse mesmo blogueiro megalô paranóico delirante conseguiu afirmar que a vitória do time azulejento dele contra o Paraná Clube tinha sido épica, pois o adversário ia brigar pelo título da série B. Na rodada seguinte, o Paraná levou uma biaba em Fortaleza e atualmente é o lanterna da segundona. Uma máquina de jogar bola, como se vê.

É melhor que ele se restrinja ao que conhece: as divisões subalternas do futebol brasileiro. Esse negócio de série A é muito para o caminhãozinho dele.

Claro que, como bom avaiano, deve torcer por um time de outro estado na série A, provavelmente do Rio de Janeiro. Mas torcer por um time que é preciso pegar um avião para ver jogar em casa não o torna um catedrático no assunto.

Para deixá-lo feliz, vamos reproduzir alguns números do time dele:

- Última participação na série A: 1979

- Última vitória na série A: 1977

- Estatística completa na série A: 37 pontos ganhos, 53 jogos, 11 vitórias, 12 empates, 30 derrotas, 41 gols a favor, 73 contra.

Não é à toa que é conhecido por ser o time do Guga. E só por isso. Em termos de futebol nacional, é irrelevante.

Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Um tabu a menos

O Figueira ainda não havia vencido o Coxa no Orlando Scarpelli pelo campeonato brasileiro. Além disso, a última vitória contra os curitibanos havia ocorrido em 2002 no Couto Pereira. Pois na noite deste domingo, o Furacão Alvinegro enterrou mais um tabu, com a vitória por 2 a 1 em casa, mesmo com um jogador a menos desde os 15 minutos do 2º tempo.

O time fez um bom jogo no primeiro tempo, mesmo com os remendos na defesa por conta da falta de opções para o setor. O técnico Alexandre Gallo voltou com Léo Matos pela ala direita, recuou Diogo para a zaga, com César Prates e Asprilla completando o trio defensivo. Marquinhos continuou na ala esquerda. Magal começou jogando no meio-campo, adicionando qualidade ao setor, ao lado de Elton, Cleiton Xavier e Fabri.

Dessa vez o 3-6-1 funcionou bem melhor. Isso porque Cleiton Xavier e Fabri se juntavam a Wellington Amorim, transformando o sistema num 3-4-3 quando o time atacava. Léo Matos se soltou mais pela direita e fez boas jogadas. Já Marquinho afunilava demais e o segundo gol só saiu porque Rodrigo Fabri fez uma jogada de autêntico ponta-esquerda.

O time começou melhor, criou algumas oportunidades e saiu na frente, com um belo gol de Cleiton. Logo depois, no entanto, Diogo pisou no freio na marcação pela esquerda e César Prates bobeou no cruzamento, permitindo o gol de empate do Coxa.

O time não se abalou e conseguiu o desempate antes do final do primeiro tempo. Quando começou o segundo tempo, a equipe começou a ensaiar matar o jogo no contra-ataque. A expulsão de Léo Matos, no entanto, mudou tudo. O time se fechou para garantir o resultado e as saídas de Fabri e Elton, por cansaço, e de Cleiton, por contusão, praticamente liquidaram com o poder ofensivo do Furacão Alvinegro. Restou então se defender com muito empenho e ver Wilson operar os milagres de costume quando a defesa não segurava a onda. Um bom resultado, no final das contas.

Para que consertar, se não quebrou?

É inegável que, nos últimos 10 anos, a diretoria do Figueira tem levado o clube a campanhas e conquistas nunca antes alcançadas. O clube se reestruturou completamente, passou a dominar o futebol catarinense, está no sétimo ano consecutivo de série A, revela jogadores, foi campeão da Copa São Paulo de Juniores, tem 10 mil sócios, um estádio bem cuidado, um Centro de Treinamento, etc. Tudo isso é digno de elogio.

A condução do futebol, no entanto, me parece sempre reativa. O clube não se previne, só contrata quando é desesperadamente necessário. O lema parece ser: para que consertar, se não quebrou? O time está sem lateral-esquerdo há cinco meses, desde que André Santos para o Corinthians. A zaga tem graves lacunas, aumentadas com a saída de Felipe Santana. Há outras deficiências no elenco que também precisam ser supridas.

Não dirigir o clube com paixão extremada é uma qualidade. Frieza e tranqüilidade são fundamentais no futebol. Como dizia o velho Michael Jordan, se você começar a dar ouvidos ao que o torcedor diz na arquibancada, vai terminar assistindo o jogo ao lado dele. Mas também não é aconselhável viver no fio da navalha, com um elenco na conta do chá para disputar um campeonato tão longo e tão difícil quanto o brasileiro.

Até hoje, o torcedor alvinegro se divide no sentimento sobre a campanha de 2006, por exemplo. De um lado, não dá para não ter orgulho de ter conquistado um 7º lugar, a melhor campanha de um time catarinense na série A do Brasileiro, fato que por si já mostra como é difícil a vida de um time de Santa Catarina na luta contra outros muito mais ricos e poderosos. Por outro lado, não dá para apagar a sensação de que com um pouquinho mais de investimento, a vaga na Libertadores já teria vindo naquele ano.

Pois a sensação retorna neste começo de campeonato. Ainda é muito cedo para fazer qualquer prognóstico, mas o sentimento é de que com quatro ou cinco adições de qualidade ao elenco atual, o Figueira pode fazer um grande campeonato. Do meio para frente, as opções são muito boas. Mais um meia e mais um atacante, para aumentar o leque disponível, resolvem a parada. Fundamental mesmo, porém, é acertar a cozinha. Disputar um jogo de série A com três improvisações no setor defensivo (Prates e Diogo na zaga, Marquinhos na ala) é um risco desnecessário.

O controle das finanças é peça vital no planejamento alvinegro. Está cheio de time por aí que gastou os tubos, não obteve os resultados desejados e desceu a ladeira sem freios. Está na hora, no entanto, de pensar mais alto. E não só no discurso, mas nas ações.

Explicação que não explica

Uma parte da informação veiculada pela imprensa na noite de sábado estava correta. Gallo está deixando o Figueira. A outra parte ainda não se confirmou. Sua ida para o Atlético Mineiro ainda não está fechada.

Por isso, não entendi muito bem a pompa e a circunstância utilizadas para anunciar sua saída do Furacão Alvinegro. Além de Gallo, estavam presentes Rodrigo Prisco e José Carlos Lages na entrevista coletiva que confirmou o desligamento do treinador.

O motivo alegado: divergências na forma de pensar. O que quer dizer isso? Gallo não quer trabalhar com os jogadores da categoria de base? Não está satisfeito com a demora nas contratações? Quer medalhões? A diretoria não está satisfeita com seu trabalho? Ficaremos só nas especulações.

O que interessa agora é encontrar o técnico certo para conduzir a equipe. Alguém que acrescente qualidade ao trabalho que vinha sendo realizado. Não é tarefa fácil, ressalte-se.

Torcida está devendo

Apesar de ter a melhor média de público de Santa Catarina, a torcida alvinegra, por sua grandeza, está devendo. Apenas 7.500 torcedores foram ao Orlando Scarpelli ver a vitória sobre o Coritiba. Era jogo para no mínimo 10 mil pessoas. Estréia em casa no Brasileiro, depois de conquistar o estadual em Criciúma e arrancar um empate heróico contra a Lusa em São Paulo. Melhor que isso não é fácil de fazer.

Vou apelar para a suprema ofensa: tem torcedor do Figueira que está parecendo avaiano, torcedor de pijama, com mil desculpas para não ir ao estádio. É porque está ventando muito. É porque o horário é ruim. É porque não vai vender cerveja no Scarpelli. É porque o adversário não é grande coisa.

Vamos parar com isso. Tem torcedor que está ficando muito enjoado. Tá com saudade dos tempos da série C, quando dava 10 mil pagantes depois de qualquer vitoriazinha contra o Brusque?

Chega de frescura. Se o Figueira joga no Scarpelli, não interessa o horário, o adversário ou a temperatura da cerveja. É dever de todo alvinegro que se preze estar lá.

Sábado, 17 de Maio de 2008

Gallo no Galo

A novidade deste sábado é a possível saída do técnico Alexandre Gallo, que estaria se transferindo para o Atlético Mineiro. Financeiramente, a ida para Belo Horizonte pode ser recompensadora, mas em termos técnicos, o atual técnico do Furacão Alvinegro vai penar um bocado. Pelo que vi do Galo, o time, até agora, é equipe para brigar para não cair. E com uma torcida que pressiona muito mais e uma diretoria que mais erra do acerta e não dá ao treinador as condições e o respaldo que a direção do Figueira costuma dar. Mas nessa hora, além da grana, a ambição fala mais alto. Um bom trabalho no Atlético ainda tem muito mais repercussão do que um excelente desempenho no Figueira.

Da parte da torcida do Figueira, o certo é que a saída do Gallo não vai desagradar muita gente. O profissional nunca foi unanimidade, principalmente pelos problemas apresentados pela equipe durante o campeonato estadual. No ano passado, seu desempenho foi melhor, mas pegou um time montado, mesmo que com sérias limitações, e com um jeito definido de jogar. Acertou aqui e ali, principalmente na mentalidade, e obteve bons resultados. Já nesse ano, oscilou muito, alguns bons jogos com péssimas atuações, auxiliado pela dificuldade da diretoria do clube em suprir as carências do elenco.

Claro que a “saudade” de Gallo depende fundamentalmente do desempenho de seu substituto. O