Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Duplo reencontro

Em uma das últimas vezes que o Figueira enfrentou o Vila Nova também foi para a série B. Só que naquela ocasião, o técnico do Furacão Alvinegro era Vagner Benazzi e a vitória foi a quarta de uma impressionante sequência de seis triunfos consecutivos que o então “rei do acesso” obteve logo que assumiu o Figueirense.

Isto foi em 2001, ano que o Alvinegro conquistou o acesso. O primeiro jogo contra o Vila foi no Serra Dourada, uma vitória por 2 a 1. Agora o jogo é no Scarpelli e o técnico do time goiano é o velho Benazzi de guerra, ameaçado de demissão depois de seis jogos sem vitória.

O Figueira, por sua vez, está bem precisado de uma sequência como aquela de 2001. Para entrar definitivamente no G4, ganhar a confiança da torcida e mostrar a todos que não está a passeio.

Bem que o Furacão Alvinegro ensaiou um progresso ao conseguir três vitórias e um empate, mas a derrota e o mau futebol em Caxias do Sul ressuscitaram velhos fantasmas.

É hora de espantá-los ao menos, já que sepultá-los é uma tarefa bem mais difícil. Com desfalques e dúvidas, o Figueira precisa vencer o Vila nesta noite no Scarpelli. Se não der para entrar no G4 agora que ao menos o time continue por perto.

Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Maracujina para todos

Dentro do quesito drama, a torcida do Figueira está dando um banho. Há motivos. Essa ansiedade não vem do nada, vem do rebaixamento, o mau campeonato estadual, da dificuldade do time em embalar na série B. Só que nem tudo precisa virar um drama, nem tudo é um absurdo que merece ser punido com a guilhotina.

Por exemplo, a celeuma a respeito do posicionamento de Fernandes, mais recuado no segundo tempo em Caxias. O Infoesporte foi buscar a explicação. Já este blog faz questão de lembrar que este mesmo recurso foi utilizado no segundo tempo contra o Paraná Clube. O técnico recuou Fernandes para melhorar a saída de bola, adiantou Lucas e assim o Figueira chegou à vitória.

Sobre a “invenção” de Schmoller na ala direita, a opção pode ser questionada, mas é algo que Roberto Fernandes vinha testando nos treinamentos. Só pode ver se vai funcionar mesmo em jogo. Não tem como comprovar de outro jeito. Além disso, Anderson Pico ainda não parece em forma, o que até pode suscitar outro debate: vale a pena continuar com um jogador que não tem condições de jogar 90 minutos depois de cinco meses no Scarpelli?

O famigerado pênalti cobrado por Clodoaldo. Roberto Fernandes disse depois do jogo que Rafael Coelho é o cobrador oficial e que queria explicação sobre o que havia ocorrido. Só que Rafael perdeu o último pênalti que bateu, contra o Atlético-GO, e, pelo jeito, não fez muita questão de bater esse de terça-feira.

Aí é questão de avaliar se ele tem condições de agüentar o tranco de tanta responsabilidade. Se não tiver, escolhe outro. Fernandes, por exemplo, só perdeu um pênalti entre dezenas que bateu com a camisa do Figueira.

Não se trata de fazer a defesa intransigente de Roberto Fernandes. Questiono algumas decisões tomadas por ele. Neste último jogo, particularmente, a opção de botar três atacantes depois de estar perdendo, entre outras.

Não sei se ele vai conseguir levar o Figueira de volta à série A. Compete a quem acompanha seu trabalho diariamente avaliar a qualidade do que Fernandes vem fazendo.

Só acredito que na série B, com um orçamento limitado, o Figueira não terá condições de trazer nenhum grande nome. Ficar trocando de técnico vai depender muito mais de sorte, de circunstâncias aleatórias para funcionar do que de planejamento e competência para escolher. Em certa faixa de mercado, os técnicos são, basicamente, muito parecidos. E as chances de dar certo ou errado são quase as mesmas.

Como se não houvesse amanhã

Se tem algo que me incomoda nos tempos atuais é essa tendência de se encarar o que acontece hoje como se fosse um fato dramático, definitivo, insuperável e ao mesmo tempo tudo é superficial e descartável até que nova catarse recomece.

No futebol, com tanto espaço nas mídias disponíveis (internet, rádio, TV, jornal) isso se repete a cada jogo. Cada vitória é avassaladora, cada derrota é crítica, dramática, incontornável. E aí não sei se é a mídia que influencia a torcida ou a torcida que faz a mídia se comportar desse jeito. Só sei que a cada derrota, como a de terça-feira, em Caxias, se pede a cabeça do técnico e de meio time.

Parece que quase todo mundo guarda o cérebro, a razão, na gaveta, antes de repercutir um resultado. Ser torcedor, para mim, não se resume a isso, uma emoção burra e violenta que impede o cidadão de ter qualquer tipo de raciocínio lógico.

Outra coisa que incomoda é a memória curtíssima de quase todos. Rafael Coelho, por exemplo, era questionadíssimo até dois meses passados. Era fominha, era limitado, só corria e não pensava. Depois que desembestou a fazer gol virou um crime de lesa-pátria qualquer ameaça de vendê-lo. É a última bolacha do pacote. Só que é o mesmo garoto, em evolução, que vai acertar, errar e tem muito a aprimorar até se firmar definitivamente. Está numa fase ótima, mas é muito difícil manter uma média de quase um gol por jogo em qualquer competição. Vai ter o mesmo apoio se os gols rarearem?

Isso leva a outra questão. A facilidade com que um boato deflagrado não se sabe por quem, gera uma avalanche de comentários e notícias sem qualquer fato a fundamentá-los. Há uma semana ou mais se reclama de uma possível venda de Rafael Coelho quando não se tem nenhuma informação concreta a respeito de qualquer proposta feita recentemente pelo jogador. Bastou um anônimo comentar num chat de um programa de rádio para que a fofoca ganhasse ares de notícia comprovada. Ninguém corroborou. Nenhuma confirmação foi obtida. Mas o falatório dura até hoje.

Não sei se me fiz entender. Esse post saiu meio confuso e não estou com muita disposição de consertá-lo.

Só tenho a certeza que futebol tem isso de bom. A gente perde na terça fora de casa e pode se recuperar na sexta no Scarpelli.

Então bola pra frente e que venha o Vila.

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Com quantos erros se faz uma derrota

O time entrou escalado sem muitas surpresas. A entrada de Schmoller na ala direita já era cogitada, assim como o retorno de Schwenck ao comando do ataque.

O primeiro tempo foi muito parecido com o jogo contra o Bahia, em Salvador, com exceções de dois aspectos. O primeiro, positivo, é que o Figueira não teve ninguém expulso. O segundo, negativo, foi que saiu atrás no placar.

Assim como em Salvador, no entanto, o time se defendia bem, mas não conseguia concatenar jogada alguma nem manter a posse de bola. Aliás, o Juventude criava ainda menos do que o Bahia no jogo de Pituaçu, só que não conseguir ficar com a bola é sempre um problema. Hoje as circunstâncias trabalharam contra o Figueirense. O gol do time de Caxias só poderia sair de bola parada. E saiu. Num pênalti.

No segundo tempo, foi a vez do técnico Roberto Fernandes fazer as escolhas equivocadas. Eu, particularmente, não consigo enxergar a vantagem de se jogar com três atacantes quando se está perdendo uma partida. O treinador alvinegro insiste, porém, em apelar para esse recurso quando está atrás no placar. Não me lembro de ter funcionado alguma vez. Aliás, já vi Adilson Batista botar quatro atacantes num jogo contra um Fortaleza com nove jogadores e a partida terminar no mesmo 1 a 0 a favor do Figueira que o marcador apontava no primeiro tempo.

O time ficou com uma avenida no meio, sem levar grandes perigos ao gol adversário. O espaço era ampliado porque Schmoller voltava para a defesa se arrastando. Assim, Paulinho ficou no mano-a-mano com Zezinho, teve a camisa puxada primeiro, mas Rodrigo Cintra – árbitro que por algum mistério insondável aparenta detestar o Figueira – preferiu assinalar pênalti na sequência da jogada. 2 a 0 para o Juventude.

Aí veio mais um erro alvinegro, no momento ideal para diminuir o placar, logo depois de sofrer o segundo gol. Pênalti para o Figueira em Clodoaldo. Ele mesmo foi bater e atrasou para o goleiro.

Aí Roberto Fernandes fez um remelexo. Tirou Schmoller e botou Vinícius Pacheco. Trocou João Filipe por Anderson Pico. Não ao mesmo tempo, ressalta-se - houve um intervalo entre as substituições. Só que o Juventude teve um jogador expulso, o Figueira começou a pressionar mais e criou chances para chegar ao empate. Em dois cruzamentos precisos de Anderson Pico, Schwenck e Clodoaldo cabecearam para fora, além de uma boa conclusão de Rafael Coelho no final da partida.

Uma noite infeliz, cheia de erros, que não poderia ter melhor desfecho que a precisão cirúrgica de Rodrigo Cintra em distribuir cartões  e tirar Rafael Coelho, Schwenck, Régis e Paulinho da partida contra o Vila Nova na próxima sexta-feira.


A vitória, no entanto, terá que vir assim mesmo. 

Meta ambiciosa

O Figueira inicia hoje uma sequência de cinco jogos nos quais almejar obter 12 pontos não é tarefa inviável, mesmo fazendo dois deles em casa e três, fora.

Vencer Juventude hoje, Vila Nova e Brasiliense em casa, além de Campinense (fora) é objetivo possível, assim como uma derrota para a Ponte Preta, em Campinas, é provável.

O Furacão Alvinegro tem trabalhado com uma meta de oito pontos ganhos a cada cinco jogos. Em 10 jogos, conquistou 17 pontos até agora, acima da meta, mas insuficiente para ficar entre os quatro primeiros.

Para chegar ao G4, o Figueira vai ter que, no mínimo, manter a mesma toada. Melhor ainda se conseguir beliscar 12 pontos nestes cinco jogos. Seu aproveitamento passaria dos atuais 56% para 64%, percentual superior ao do agora terceiro colocado, Brasiliense, e também acima de todos os campeões desde 2006, quando a série B adotou o formato de pontos corridos, com exceção do Corinthians no ano passado.

Claro que tudo isso é muito bonito na teoria. O Figueira vai ter que comprovar a boa fase e a melhora em seu futebol jogo depois de jogo.

A começar pelo Juventude que está desesperado por uma vitória. O time faz uma péssima campanha, precisa se afastar da zona de rebaixamento e para isso trouxe Ivo Wortmann de volta pela enésima vez.

Embora seja freguês do Figueira, nunca é fácil jogar em Caxias do Sul. Se o Furacão Alvinegro fizer uma exibição do nível da partida contra o Fortaleza, a vitória estará mais próxima.

Casa cheia?

Há 40 dias, o Juventude não joga no Alfredo Jaconi, já que perdeu o mando de campo por duas partidas, que foram disputadas em Canoas.

Para tentar trazer torcida, quem comprar ingresso para a partida contra o Figueira, ganha a entrada também para o jogo contra o Ipatinga. Além disso, quem for ao estádio hoje, concorre a uma TV de 32 polegadas.

Choque de realidade

Porque o Figueira passou sete anos consecutivos na série A, tem gente que pensou que era fácil. Agora estão sentindo o tamanho da encrenca.

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Uma formação bem encaminhada

O crescimento do Figueirense na série B faz com que o clube possa pensar melhor em seus próximos passos. Os reforços, ainda necessários para suprir algumas posições carentes, podem ser escolhidos com mais calma, sem o desespero causado por uma campanha ruim ou como mero paliativo para aplacar a ira da torcida.

Este mesmo crescimento faz com que o Furacão Alvinegro passa a ter uma escalação praticamente definida, com dúvidas pontuais em uma ou outra posição.

O primeiro ponto de consenso é a zaga com três integrantes, João Filipe, Toninho e Régis. Nas alas, também sem muito debate, Lucas e Egídio. No meio, no momento, Carlinhos, Paulinho e Fernandes, embora Vinícius Pacheco tenha estreado bem e possa vir a ser uma boa opção e haja espaço para um volante mais qualificado.

No ataque, provavelmente a maior interrogação: qual o melhor companheiro para Rafael Coelho?

Para o jogo desta terça-feira, contra o Juventude, em Caxias do Sul, há dois aspectos a considerar. O primeiro é o fato de o jogo ser fora de casa e, nesse caso, a volta de Schwenck possa significar ganhar mais velocidade no contra-ataque. O segundo aspecto é que o adversário costuma abusar do jogo aéreo e aí Clodoaldo também pode ajudar na disputa pelo alto quando o Figueira for atacado.

Eu, particularmente, gostei da participação de Clodoaldo na partida contra o Fortaleza. Ajudou muito na marcação, como Schwenck costuma fazer, mas foi mais produtivo no ataque, construindo, inclusive, uma jogada muito bonita no terceiro gol do Figueira, marcado por Rafael Coelho.

Gostaria de ver Clodoaldo iniciando a partida no Alfredo Jaconi. Assim como considero que Anderson Pico deva ser o substituto de Lucas, já que não conheço outra alternativa no elenco.

Essas questões pontuais mostram, no entanto, que o Figueira começa a definir uma formação e uma maneira de jogar. Isso é fundamental para a equipe se firmar no pelotão da frente desta série B.

Sábado, 11 de Julho de 2009

Para quem não sabe como é - III

O da Estrela Solitária é freguês notório e contumaz.





Enfim, vitória e bom futebol

Finalmente nesta série B o Figueira conseguiu aliar bom resultado com bom futebol.

Na vitória de ontem sobre o Fortaleza por 3 a 1, no estádio Orlando Scarpelli, o Furacão Alvinegro mostrou padrão de jogo, variação tática, posse de bola, iniciativa e agressividade.
Fez três gols e poderia ter feito mais. Se o jogo termina em cinco ou seis a um não seria injusto. Roberto Fernandes armou o time num 3-5-2 variando para o 4-4-2 na hora de atacar, com a saída de João Felipe pelo lado direito, com um ala, alternando com os avanços de Régis pela esquerda.

O Figueira mandou no jogo desde o começo e conseguiu abrir o placar logo de cara, aos cinco minutos, com Fernandes mostrando sua velha classe ao finalizar por cima do goleiro e entre os zagueiros.

Com isso, o time ganhou a confiança e a tranquilidade necessárias para manter a partida sob controle. Sem forçar chegou ao segundo gol ainda no primeiro tempo. Na etapa final, criou diversas chances, fez o terceiro e continuou com o jogo sob controle, apesar da tentativa de pressão feita pelo Fortaleza.

Foi um resultado importante para se manter no pelotão de cima. Mais importante ainda foi mostrar evolução tanto tática quanto técnica. Foi o melhor jogo do Figueira em casa nesta série B e deixa a torcida confiante de que a equipe pode obter bons resultados contra o Juventude, na próxima terça, e contra o Vila Nova, na sexta-feira.